quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Radares da Volúpia



Recebo constantes vibrações do mundo obsceno,
São torturas e tentações que me oprimem,
Retalhos de corpos enfermos e flagelados himens
Que suplicam aflitos a doçura de um aceno.

Acabrunhado pela telepatia doentia e nauseabunda,
Respiro atônito a força da energia que dilacera
Um olfato aguçado que tem em si o odor das quimeras,
Mas que reticente sofre do aroma nefasto que retumba.

Paciente dessa atmosfera obscura, porto febris patologias
Que me acaçapam a inocência repleta de fantasias
Numa seara onde reinam desejos tecidos de amor...

Ondas físicas que se transmitem pelo radar do pensamento
Desnutrem da sensualidade o viço do sentimento
Deixando alquebradas sombras ingênuas em seu ardor!

Engenharia da Palavra

Muitas vezes exumo o conteúdo de uma palavra
Para que sua semântica alcance sentidos figurados,
Na polissemia desvendo créditos embalsamados
Pelo campo gramatical que a criatividade retrata.

Meu raciocínio esculpe a engenharia do vocábulo
E em situações adversativas monto empreendimento,
Regras e torneios se alienam ao meu sentimento
Numa airosa composição cujo painel é ilustrado.

Os desenhos são tecidos pelo extrato da sensibilidade
Que produz na imaginação anelos duma realidade
Procedentes da mente ficcional onde tudo é possível...

Muitos termos fogem do calabouço original e da rotina
Ganhando expressividade e talento para que se imprimam

Novos alicerces que o dom artístico torna verossímil!

Contramão do Tempo

Meu aspecto senil é atração da terceira idade,
Estranha jovialidade faz-me viver assaz
No tempo e no espaço dos ancestrais
Que equacionaram suas vidas com sagacidade.

No compasso do coração vejo-me mancebo
A doutrinar as emoções rumo ao porvir,
Fazendo do presente a senha para seguir
Pela estrada das horas sem conceber desterro.

O relógio em nada me frustra e não é atrapalho,
Apenas tinge meus pelos de grisalho
Para que a experiência seja fruto da inspiração...

É mister compreender-se: velhice é fantasia!
O corpo dobra-se, mas a consciência alumia

Os passos trôpegos que se fingem de ancião!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Mundo Imundo

Há uma circuncisão de valores
Que atentamente nos observa!
As velhas práticas hoje são odisseias
Que retratam o que era equilíbrio
E que foi deposto pelos desajustes...

A verdade tornou-se um mito,
A franqueza uma cafonice bastarda,
Fraternidade e solidariedade são devaneios
Que não cabem nos bolsos da modernidade...

Humildade é falta de respeito
Aos padrões de uma nova era,
Educação é um desvairado fetiche econômico
E a força da fraude é o cotidiano
Alimento dos que se julgam heróis...

Hipocrisia é a vedete protagonista
Das massas que comungam a acintosa
Metamorfose que assola o mundo...
A violência transformou-se no pão de cada dia
E a impunidade é o suco
Que minimiza o calor da rejeição,
Pois, certamente, um dia a casa cai
E o amor eclode no destrambelhado universo!


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Evolução

Ejaculei pensamentos
Sobre a réstia da lua,
Recebi da noite
O orgasmo das estrelas!
No céu estava escrito
Que, para concebê-las,
É preciso despir-se das vaidades
Que a terra acumula.

Masturbei ideais
Que se bronzeavam
À luz do sol!
Ganhei do dia
O abraço com
Flores de primavera,
Mas o vento imprimiu
Na brisa de minha janela
Que o calor alimenta
O bater dos corações e
Desnuda-se de seu anzol...

Copulei com as folhas caídas
Das tardes de outono
E, com a nudez das árvores,
Compreendi quem somos
Nesta imensidão de hectares
Que é a vida!

No aconchego contraído
In loco com a natureza,
Entendi que o amor é fino,
É esbelto e da mais pura beleza
E que confecciona na criatura
Uma existência evoluída!







domingo, 9 de fevereiro de 2014

Horas Insossas

Nesta folha despencam lágrimas de ciúme
Qual tocha que percorre lugarejos de solidão!
Sinto-me deserto, vejo fogo em meu coração
Que queima tapetes persas de minha juventude!

A saudade é um balaio de sentimentos, overdose
De desejos trancafiados no íntimo de um cofre
Onde as sensações pululam em afrodisismo de amor!

O tempo se esqueceu de retirar-me da marcha ré
E igualmente me ignorou das confidências de outrora,
Todo meu pranto é vassalo que aqui atiro fora
E nos bueiros públicos não há uma gota d’água sequer...

Anestesio-me no choro que fere minhas cicatrizes
E nesse tom de nostalgia as horas se tornam atrizes
De um palco aveludado pelo protagonismo da dor!



Arquétipo dos Vícios

Doravante constipação frequente das vias poéticas,
O eunuco absorve os edemas regulares do onírico,
Sublevam-se fetiches aeróbicos através dos postigos
E a realidade é um comboio de orgasmos frenéticos.

Destarte pandemias sensuais assolarem pelo planeta
E fazerem dos burburinhos cochichos de aconchego,
Violam-se as etiquetas que escondem virginais segredos
E o que é soçaite se perde nos meandros da pobreza.

Vulcões erigidos e focados na passagem das fortunas
Lançam suas larvas nos espectros físicos das aventuras
Que veiculam massas e androides fora dos sistemas...

Debalde a luxúria solavanca-se temperada nas estradas,
Os sinamomos tudo curtiram e deixaram vazio o nada
Que agora dorme impuro nos vales dos problemas!