sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cio Insosso


Não adianta esquivar-se para os lados,
Nas esquinas há frêmitos de beijos tarados
E a boca pode ficar inevitavelmente ferida...

Nas encruzilhadas do desejo amor é  tesão
Da necessidade fisiológica da pura excitação
E o sentimento é a grana na hora da despedida.

Violenta-me esse coito isento de atrativos,
Melhor masturbar a consciência com leituras
Que levem o indivíduo a gozar aventuras
Num espaço onde o saber não é aperitivo.

Que as cordas do violão embalsamem a virtude
E a melodia teça seu papel de inspirar
Os argumentos profícuos que são o patamar

Donde se extrai a essência da virgem plenitude!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Interpessoalidade


Sinto-me enfermo ao diagnosticar certas reações...

O caráter ideal de uma relação é a temperança,
Contudo observo uma síndrome de arrogância

Entre contatos humanos das mais variadas esferas
E tal propósito apodrece os liames da solidariedade
Tão carcomidos por efeitos nefastos de interesses pessoais.

As guerras não estão restritas aos campos de batalha,
O convívio social da modernidade é aparato de lutas
Em que a peçonha dos mais fortes violenta os mais fracos
Que, indefesos, sucumbem e são atirados ao lamaçal das desgraças...

Bocas se fecham retalhadas por temor à perseguição,
Então a hipocrisia deita e rola fecundando a vaidade
Que, por sua vez, sacia a sede indomável da ambição
Já travestida pela exaustiva busca de um referencial
Travestido pelos átomos do poder, da cobiça e da maledicência...

Assim a humanidade caminha pelas profundezas do orgulho
Que reina soberano sobre os alicerces da fraternidade
E faz do recrutamento do indivíduo poços de crueldade
Levando-o plenamente ao desconforto de uma vida indigna
Que aniquila qualquer advento de uma possível ressurreição...

O mundo está oco... Maldade é lei e centelha de terror
Que transforma o intercâmbio pessoal em viadutos de objetivos
Num tráfego trevoso em que peculiaridade é a perdição
Que se encaixa numa vitrine de falsas aspirações...

A água que jorra da fonte encontra-se contaminada,
Bebe-se do sangue escravizado que é tertúlia
Para um exército de ímpios que não dorme... cochila!

Este é o universo que identifico como estepe
Da sobrevivência que grita e blasfema socorro


Perante as incertezas das horas na edificação de um mundo novo!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Seca


Sou um eterno servo de mim,
Ronda-me uma inadimplência intelectual
Que me aprisiona os meteoritos da inspiração
E fico a galgar estresse no campus da consciência.

Estou ferido... Não consigo parir palavras
E na escassez de que me vejo vítima
Apenas enxergo réstias do que foi fantasia,
Pois, o vulto da eloquência diluiu-se...

Atormenta-me este Saara de reflexões,
Perante meu juízo sou nulidade de essência
E uma infinidade de pedregulhos ferem meus pés...

Minhas mãos acenam para o passado distante,
Preciso de resgatar o baú repleto de alegorias

A fim de que seja infinito o produto de minha arte!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Desonra


Morder é astúcia de “mala sem alça”,
Coisa de capeta com índole de travesti
Que rebola, arranha, grita como sagui
E, sendo masculino, é apenas perna de calça!

Característica insana, própria de irracionais
Que usam os dentes como mecanismo de defesa,
Ser humano que morde tem sua língua azeda
E raízes presas em antros macabros e infernais...

Usa-se a dentadura para saciar-se uma fome
Ou para sentir-se o paladar do beijo que se consome
Numa atmosfera romântica do mundo sensual...

Ah...É inconcebível morder, seja qual for o sexo,
Mesmo em crianças é atitude hedionda, algo perplexo

Que macula a idoneidade e o pudor... é atributo venal!

Tabloide de Mim


Parece-me que o espermatozoide
Que fecundou o óvulo que me fez criatura
Era meio agitado, meio zonzo...
Simplesmente assassinou os congêneres
E ficou só a germinar um embrião...

Havia em si caracteres alucinatórios,
Pois, derivou um DNA rebelde,
Às vezes cismático, meio revolucionário...
De vez em quando altruísta e sapiente,
Mas vez por outra plenamente solitário...

Guardou em mim acervo de raízes várias,
Porque do grotesco ao sublime,
Da razão primitiva ao tom lunático
Há diodos que nutrem transformações
E a lucidez baila sobre fontes mentecaptas...

É uma enxurrada de pensamentos febris
E um holocausto em que paixão é brasa,
Experiências de extremos paradoxais
Ora profundamente maltrapilhos,
Ora circunstancialmente envoltos em enxovais
Em que a personalidade é mistério...

Vejo o mundo num tabuleiro de perfídia
Ou numa redoma que protege o que é fino...
Vejo-me ladeado por extremos cabíveis e incabíveis
E o que foi em mim implantado já é peça de museu

Visto que ora sorrio, ora choro... este, sim, sou eu!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

TURBULÊNCIAS


Perante certas criaturas sou fiapinho de gente...
Ressabiado, vou e volto pelo fundo da agulha,
Meus olhos atônitos atentos vasculham
Uma assembleia que tudo bebe indiferente.

Abrem-se as cortinas para um palco de lorotas
Que flutuam sobre a crendice de imbecis
Recalcados por equações em que todos os xis
São incógnitas que alimentam os idiotas.

No espaço frenético a festa é dos cretinos
Que saciam suas verves doravante os desatinos
Compilados por uma plêiade de embusteiros...

Isentos de reações adversativas, ocorre o massacre
Que a turba aplica impiedosa com o gosto acre

Dos objetivos letais confeccionados por feiticeiros!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Estrume Social


Não pense que a mentira consola,
Trata-se de vírus que envenena o leme,
É um senso maltrapilho que ofende
E não serve nem para ser esmola...

Estapafúrdia vereda, esdrúxula conduta
Que congrega consigo as trevas à tiracolo
Maculando o pensamento que vira dolo
Da árdua sobrevivência que se disputa...

A hipocrisia é mancebo que se traveste
Do mocinho que se proclama cabra da peste
Na escuridão que deteriora bons costumes...

Não há chantili no plasma de um engodo,
A verdade não é vulto, não é nada de novo,
É consciência para soterrar esse estrume!