domingo, 16 de março de 2014

Felicidade é Conquista...

Durante toda a trajetória de minha existência

Sempre fui muito atento ao que me diziam
E uma frase que ecoou centenas de vezes aos meus ouvidos

Até hoje tem cadeira cativa em minhas lembranças:
“A felicidade não bate duas vezes à mesma porta...”
Será que este argumento tem realmente raízes definitivas?

Creio que a felicidade não busca encontrar alguém,
É o indivíduo que vive à sua cata desesperadamente
E no transcurso da vida depende apenas de si mesmo
O encontro com essa alegria tão adrede desejada...

Nos momentos mais inoportunos pode-se ser feliz,
Assim como no auge de intenso contentamento não haja sorrisos,
A felicidade tem conotações distintas perante os seres,
Pois, o que para mim é animado, para outrem é triste...
São adversativas as acepções como cada qual a isso enxerga...

Certamente não há quem seja feliz em todos os momentos,
Alegrias existem bastantes, mas a felicidade é fragmentada,
Cabe à criatura saber aproveitar esses raros instantes
E levar o que é único a uma grande extensão,
Porém tal procedimento requer habilidade no trato com o cotidiano.

Igualmente é incomum a tristeza ser uma constante,
Nada é mais, nada é menos, em verdade tudo conta
E o melhor exemplo desta premissa é seu próprio viver...
Pare e reflita sobre as nuances boas e más em sua jornada...

Mesmo cheio de altos e baixos, o mundo é o mesmo,
O tempo é o mesmo, as horas caminham na mesma lentidão
E somente os valores é que trocam de roupa com constância...

Neste universo em que vivemos sempre houve guerras,
Traição, ambição, hipocrisia, ricos e pobres, sapiência e ignorância...

Cada um que procure desdobrar o bem, a felicidade está em si.


Drenagem

Passo a passo alinho meu destino,
Verto utopias exóticas na linha do tempo,
De solidão e de saudade me amamento
Sobre relíquias de pensamentos que imprimo.

Confecciono flores e adereços de ilusão,
Caricaturo fantasias que vestem meu passado,
Dispo-me de sorrisos nocivos e embalsamados
Que retratam a melancolia de minha emoção.

Na faxina das recordações escancaro a porta
E me vejo sectário de uma natureza morta
Em que nem mesmo a água viva vivifica...

Torna-se lenda o íntimo árido e sem abrigo
Que pulula vazio à cata do que seria o mito
Que faria das horas estuário de lembranças ricas!


sábado, 15 de março de 2014

Arte e Realidade

Não sou cientista, sou poeta...
Lirismo não é sanha de postulados,
A criatividade se mexe em todos os lados...
Remelexo ostensivo da linguagem concreta!

Empirismo abstrato, dizem uns... Nada!
A arte faz analogia com a própria vida,
A fantasia é o cardápio da mente embebida
Por uma eloquência que jamais será explicada!

Criar... Tecer organismos da realidade
E flutuá-los num endosso de fecundidade
Para alcançar a magia que deveras surpreende...

Obra artística... Painel de sonhos e alegorias,
Contudo recheados das verdades do dia a dia
E produzida por artesãos... Indivíduos diferentes!



Brincando com os coletivos



Um exército de formigas invadiu meu acervo de ideias...

Edifiquei grandes projetos na colmeia do pensamento,
Mas uma turba de belicosos e atraentes passatempos

Levou-se a configurar uma prole de preguiçosos raciocínios
Que me tornaram escravo perante um enxame de horas perdidas
Num espaço onde uma multidão de insultos me xingavam...

Chorei diante de um bando de lágrimas desfiguradas
E me agarrei a uma antologia de esperanças ainda vivas
Que expuseram à minha face uma fauna de velhas cinzas
Para que eu as entregasse ao pelotão das reflexões desamparadas...

O tempo ingeriu-me cachos de ânimos bastante novos
E me vi seduzido por uma caravana de intensas forças
Que inspiraram a mim um glossário de lutas de aparências toscas,
Contudo vitaminadas por uma nuvem de imenso prazer
Que me fez herói de uma penca de atitudes exóticas para vencer!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Colhe-se o que se planta

Cada indivíduo semeia uma semente,
O invólucro protege o que há no fundo
Que pode ser cristalino ou deveras moribundo,
Isso depende do caráter que a cultiva, somente...

Grãos da personalidade formam-se com a vida
Mediante exemplos que são contatos do cotidiano,
O bem educa, o mal promove os danos
Da colheita inadequada que é consumida.

O pensamento fertiliza o que se planta
E o que se leva verdadeiramente em conta
São os ingredientes trabalhados na fecundação...

Quando a semente brota, escreve-se o veredito
De um fruto maligno ou indelevelmente expedito
Que fará do produto final a arquitetura do coração!


quinta-feira, 13 de março de 2014

Natação Cósmica

Minhas asas me fazem flutuar distante
E a mente depura o pensamento sem cansaço,
Do éter retiro o tempero com que traço
Redondilhas tingidas da sensibilidade dominante.

Há no espaço várzeas insondáveis do infinito
Que me apalpam a imaginação febril e contrita,
Diante de cada passo sorrio com a vista
Mergulhado num sonho do êxtase que conquisto.

Tudo é sensorial neste campo sutil e magnético,
O voo me envolve num estágio onde o teor estético
É moldura que retrata a criatividade artística...

No íntimo a fotografia é arrimo da contemplação
Que traz o maravilhoso perante o excitado coração

Já devorado pela beleza indelével da ótica metafísica!

terça-feira, 11 de março de 2014

Morrer para Viver

Meu corpo ali em câmara ardente
E eu aqui a contemplar o sono
Que o levará à campa sem outono
Na magia da metamorfose indiferente.

Estou liberto... Abandonei o fardo
Que me fez escravo das ilusões da matéria,
Agora posso flutuar pela vida etérea
Sem os vícios travestidos de hábitos.

Olho-me sereno e já não sou carente,
Sinto o pleno exercício da mente
Que tudo vê e escuta sem muralhas...

Lágrimas? Não! Saudade é meu sorriso
Que contrasta quem se lamenta consigo

Da solidão aparente que não me atrapalha!