quinta-feira, 31 de julho de 2014

Entre a Cruz e a Espada

NOVELA - ROMANCE
Publicarei a partir de hoje e em capítulos diários, meu romance ENTRE A CRUZ E A ESPADA. Espero que gostem!
I
Nasceu de Novo...
Fazia duas horas e meia que o avião decolara. O piloto havia perdido contato com a torre de controle. A aeronave perdia altura cada vez mais e foi caindo... caindo... afinal engolido pelas águas do largo oceano. Duzentos e trinta e seis passageiros. Aparentemente sem sobreviven-
tes. A notícia tomara conta da mídia. Parentes, conhecidos e amigos dos passageiros buscavam, aflitos, informações sobre a possibilidade de sobreviventes, mas... nada! A tragédia fora dada como perda total, ninguém houvera conseguido escapar. Difícil fora a remoção dos corpos,
muitos haviam desaparecidos, embora os destroços, quase intactos, pois não houve explosão, mostrassem ter sido quase impossível que alguém haja logrado sair ileso da catástrofe. Constatou-se, posteriormente, que a pressão do mar abrira uma das portas, por onde, talvez, alguns corpos hajam sido sugados pela correnteza. O fato foi que a empresa aérea divulgou uma lista com os nomes dos 236 passageiros, todos considerados mortos.
Alguns dias se passaram após o acidente. O mar permanecera agitado e uma leve chuva trazia do horizonte um friozinho que causava leves arrepios. Mesmo com o tempo incerto, Fernando Cintra saíra para seu costumeiro “cooper” da manhã. Eram 5 e meia, o dia ainda nascia, o sol
permanecia meio escondido. Fernando Cintra agora caminhava pela areia, tudo estava deserto. Já perto de casa, divisou um corpo jogado sobre as pedras. Percebeu tratar-se de um jovem que, se muito tivesse, haveria 15 anos. Chegou perto. À primeira vista parecia morto, porém Fernando observou uma tênue respiração. Estava vivo! Colocou-o nos braços e o levou para sua casa, era evidente que necessitava urgentemente de um socorro. As roupas do jovem estavam ensopadas e, nos pés, apenas um sapato. Deitou-o no sofá, tirou-lhe aquelas vestes
molhadas, trouxe uma toalha e o enxugou. Era preciso banhá-lo com água quente, a pele parecia engelhada pelo frio cortante. Foi à cozinha e colocou água numa chaleira para esquentar, depois dirigiu-se ao banheiro, onde juntou água numa bacia. Preparou sabonete, xampu
e os demais acessórios. Ao notar que o banho estava pronto, voltou à sala terminou de despir o jovem e o carregou até o local em que pusera a bacia. Lavou-o com carinho em todas as partes daquele corpo magro, contudo bonito e bem dividido. Concluído o banho, enxugou-o
com uma toalha e o depositou em sua própria cama. Penteou os cabelos e o deixou desnudo, porque suas roupas estavam molhadas e Fernando não havia em casa roupas adequadas para ele. O jovem parecia estar melhor da respiração e Fernando percebeu que mexia com os dedos
das mãos. Aos poucos foi despertando daquele torpor e, finalmente, abriu os olhos. Tentou reconhecer onde estava, que ambiente era aquele. Tudo era-lhe desconhecido, inclusive a voz que lhe deu boas-vindas ao lar.
- Não sei quem é você, nem o que ocorreu, só sei que o encontrei desfalecido sobre as pedras e o trouxe para minha casa. Meu nome é Fernando Cintra...Prazer em conhecê-lo! Qual é mesmo seu nome?
O garoto o olhou desconfiado e em seus olhos percebia-se um nuvem de lágrimas.
- Diga-me seu nome – insistiu Fernando – e o que aconteceu com você...
- Tenho fome! – Foi o que conseguiu balbuciar.
Imediatamente Fernando foi à cozinha e lhe preparou um alimento pastoso de aveia, pois, julgou que, com a fraqueza em que se encontrava, ele não conseguiria mastigar sólidos. Arrumou-o na cama, subiu o travesseiro a fim de que houvesse uma posição confortável para o desconhecido se alimentar. Fernando sabia-o faminto, porém não viu qualquer movimento em direção à comida, então sentou ao seu lado, à beira da cama e com uma colher alimentou-o, delicadamente. Com certeza o menino estava com fome visto que nada sobrou do que Fernando trouxera.
Mais uma vez falou, mas de modo quase ininteligível.
- Tenho sede!
Fernando lhe trouxe água gelada num copo e já pensando que ele não teria acesso por si só ao conteúdo, trouxe também canudos. O rapaz sugou a água num segundo e, depois, repentinamente, adormeceu de forma profunda. Ainda bem que Fernando Cintra se encontrava em gozo de férias por conta própria. Era autônomo, trabalhava com vendas de peças para carros, motos, caminhões, tratores, bicicletas... Era viúvo, perdera a esposa fazia 4 anos e não tinha filhos. Morava só, contava 30 anos. Precisou sair para comprar alguns mantimentos e o fez apressadamente. Em sua mente havia algumas interrogações: quem seria aquele menino? O que positivamente houvera ocorrido a ele? Deveria entregá-lo às autoridades competentes? Tomou a seguinte resolução: até que o menino pudesse falar e esclarecer tudo o que desejava saber, mantê-lo-ia em sua casa e no mais absoluto silêncio, não havia motivos para comentar o fato com quem quer que fosse. Dedicou-se inteiramente à recuperação daquele jovem a ponto de, no quinto dia, sentir-se
afeiçoado a ele como se o mesmo fosse seu filho. Enquanto não voltava à realidade, o menino era tratado com dedicação e bastante carinho. Fernando fazia a higiene quando de suas necessidades fisiológicas, dava-lhe banho, alimentava-o. Somente no quinto dia Fernando perce-
beu-o bem melhor, o olhar mais vivo e um maior interesse em saber onde estava.
- Onde eu estou? Quem é você? – Indagou a Fernando.
- Eu sou Fernando Cintra. E você, quem é? Qual é seu nome?
- Meu nome é Alan. Alan Pinheiro. Onde estão meus pais e minha irmã? – Perguntou.
- Eu não sei – respondeu Fernando – preciso saber de você o que aconteceu. Tem alguma lembranca do que possa ter ocorrido?
- Vaga lembrança... avião... água... gritos...
Foi quando Fernando Cintra entendeu o que mais ou menos acontecera. Estava diante de um sobrevivente do acidente aéreo ocorrido há poucos dias.
- Não se esforce muito agora, Alan. Descanse, posteriormente eu o ajudo a concatenar suas ideias. Diga-me apenas: que idade tem?
- 14 anos e... por que estou nu?
- Porque suas roupas não prestaram mais, no entanto vou comprar tudo novo para você...
- Eu tenho vergonha...
- Não necessita ter vergonha, aqui só há eu e você.
O menino nada mais disse. Voltou a adormecer. Fernando ficou a prestar atenção ao seu sono, agora mais leve e mais profundo. A verdade é que Alan melhorava e, logo, estaria de pé. Para não contrariá-lo, no dia seguinte saiu e comprou algumas roupas leves, como calções de algo-
dão e camisetas, somente por enquanto. Desta vez, Alan dormiu durante longas horas. Quando se acordou no dia seguinte, verificou-se vestido e estava mais disposto. A cama em que Fernando dormia era cama de casal, a única existente ali. Olhou e percebeu que Fernando ressonava ao seu lado, mas logo despertou.
- Bom dia, Fernando! – a voz estava bem mais legível – Posso tentar levantar-me?
- Calma – disse Fernando – deixe-me ajudá-lo.
Alan conseguiu ficar de pé, porém foi acometido por uma tontura, talvez pelo fato de tanto tempo deitado. Fernando o segurou, evitando que ele levasse uma queda.
- Devagar você vai tentando e eu o ajudando, logo estará bem – confortava Fernando.
- Tenho muito de agradecer a você por tudo o que está a fazer por mim.
- Nada faço esperando agradecimentos ou recompensas. Faço por ser cristão e o ensinamento bíblico é bem claro: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.”
- Sim, é verdade. Você é um santo...
- Não diga isso, Alan. Sou uma pessoa igual a você, apenas mais velho um pouco.
- Estou com calor – disse Alan.
Fernando o despiu e o levou para o banheiro onde lhe deu um banho. Trouxe-o de volta à cama e o vestiu com roupas limpas.
- Está com fome? – Fernando perguntou.
- Sim.
Fernando providenciou seu desjejum. Agora ele já comia coisas sólidas. Aos poucos se restabelecia.
- Quero conversar. Você me escuta?
- Claro – respondeu Fernando – fale-me sobre o que quiser.
- Tenho agora lembrança de tudo o que me aconteceu. Posso dar-lhe em detalhes, se assim tiver interesse em conhecer minha história.
- Conte-me tudo – pediu Fernando – há muito desejo saber o que se passou com você.
- Éramos quatro: eu, minha mãe Olívia, meu pai Arthur e minha irmã Sulene. Vivíamos numa cidade do interior do Pará. Meu pai estava endividado, devia até os cabelos da cabeça. Como ele não tinha como pagar, tiraram-nos tudo o que puderam: casa, móveis, pertences pessoais... tudo! Meu pai havia guardado uma pequena quantia e, com esse dinheiro, comprou nossas passagens de avião, estávamos indo para São Paulo, onde pretendíamos recomeçar nossa vida. Fomos obrigados a sair de nossa cidade, pois, como já não possuíamos bens para resgatar as dívidas, estávamos ameaçados de morte. Foi aí que tudo ocorreu. Pegamos o avião, mas houve o desastre e eu acho que fui o único sobrevivente dessa tragédia.
- A empresa aérea informou que todos morreram, que não houve sobreviventes. Você se lembra de como conseguiu escapar?
- Tenho uma ligeira lembrança de que, quando o avião chocou-se com a água, uma das portas se abriu e consegui passar. Cheguei à tona e nadei o que pude, acho que a correnteza marinha levou-me e me deixou onde você me encontrou. É o que posso lembrar-me...
- Quando estiver recuperado, o que pretende fazer? – Quis saber Fernando.
- Eu não sei! Não tenho aonde ir. Também não desejo que saibam que sobrevivi, certamente os credores de meu pai procurarão por mim e tentarão matar-me...-Alan chorava.
- Ninguém vai saber que você sobreviveu. Ninguém sabe que você está aqui. – Falou Fernando.
- Com certeza você tem seus afazeres e sua família para dar atenção, não vai querer preocupar-se mais comigo. – Alan se lamentou.
- Que eu tenho meus afazeres, não há dúvidas, porém familiares, não. Vivo só. Sou viúvo há quase 5 anos e não tenho filhos. Você gostaria de recomeçar sua vida morando comigo definitivamente?
- Você faria isto? Por quê? No fundo, sou um desconhecido..
- De tanto cuidar de você nesses dias, de tanto dar-lhe banho, dar comida em sua boca e até fazer sua higiene pessoal, eu me afeiçoei a você. Estou disposto a aceitá-lo aqui ao meu lado para sempre, ou até quando desejar...
Alan era um garoto bastante emotivo, então se emocionou profundamente com o que estava a ouvir de Fernando Cintra.
- Eu quero ficar com você!
Disse isto e buscou o abraço de gratidão. Deixou-se cair sobre o ombro de Fernando e chorou, e chorou, e chorou...
- Tenho uma ideia. – Disse Fernando.
- Qual?
- Diante de tudo o que você me relatou e estando você oficialmente morto diante da lei, poderei dar a você um novo nome e sobrenome. Já que é uma vida nova, então que se faça tudo novo.
- E como você conseguiria isto?
- Tenho amigos importantes como donos de cartórios, advogados, donos de escolas... Todos há muito meus clientes. Sou autônomo, trabalho com vendas e representações de peças de carros, automotores e bicicletas. Eu falo com um tabelião amigo meu e ele registra você como se fosse filho meu e de minha esposa que faleceu... de posse da nova certidão de nascimento, eu falarei com uma dona de escola e ela me facilitaria já com seu novo nome, uma ficha 18, isto é, como se você houvesse concluído o fundamental e o restante, daqui em diante, seria por sua conta, porque eu o matricularei numa escola. Tiraremos sua identidade, seu CPF, tudo
regularizado para você ter uma existência normal.
- Na realidade eu tenho o fundamental completo... iria matricular-me em São Paulo no 1º. médio.
- Você quer que eu faça tudo isto para você? – Fernando inquiriu.
- Sim, eu quero. Serei oficialmente seu filho e isto me agrada.
- Isto me agrada também a mim.
- Como é seu nome completo?
- Fernando Cintra Oliveira de Souza.
-Posso escolher meu próprio batismo?
- Claro! Que nome pretende dar a você?
- Matheus. Passo a chamar-me Matheus Cintra Oliveira de Souza. Fica bem este nome?
- Perfeito!
Tudo ficou combinado entre ambos. Aguardavam, agora, que Alan se recuperasse totalmente para pôr em prática o que houveram combinado. Não foi difícil, em duas semanas Matheus já estava de posse de sua certidão de nascimento, da ficha 18 da escola e tinha identidade e CPF.
Uma nova vida estava a começar para ele e para Fernando Cintra e os ventos iriam soprar sobre eles, ora forte, ora leve e as folhas das árvores iriam sorrir perante aquela suntuosa harmonia que surgia, uma relação de amizade que prometia singrar as mais altas montanhas e trazia do infinito, as bênçãos dos céus.
FIM DO I CAPÍTULO

Terapêutica Filial

Certamente eu não me amei nem um pouco,
Apaixonei-me da vida apenas pelas fantasias,
Hoje lembro o que meus pais videntes me diziam,
Agora vejo que minhas paredes perderam reboco.

Ligação filial é sorte grande, jamais é indiferente,
A experiência de vida escolhe o que há de melhor,
A essência da existência ramifica-se, sopra-se o pó
Para que o fruto da razão seja o que se aprende.

Ao longo da jornada há abrolhos e sutis espinhos
Sempre alerta a fim de trancafiar todos os caminhos
Que levem o ser humano a salvaguardar conquistas...

Amar-se e não se olvidar dos conselhos dos genitores
Que são na terra ensinamentos repletos de amores,
Preocupação constante contra falsos propagandistas!


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Efeitos de Saudade

Quanta vontade sinto de brincar
E relembrar meus tempos de garoto...
Quanta nostalgia me vem sem esforço
Apascentar as ovelhas que insistem em gritar
Dentro dum íntimo que chora ventos idos
Perante um mundo que me cerceia os sentidos!

Quanta vontade de voltar a ser menino
E desarrolhar de mim estas vestes caducas...
Quanta melancolia me envolve que é insulto
Diante dos cabelos grisalhos que me deu o destino
Perante uma vida que zomba de minha idade
E me faz sonhar com a alegria de minha mocidade!

Quanta vontade de correr debaixo da chuva
E saborear ao relento a mansidão das horas,
Deixar o corpo mergulhar nas lamas de outrora
E não permitir que os efeitos da visão turva
Seja da minha velhice chacotas de uma puberdade
Que abandonou em mim esta coisa chamada saudade!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Peças e Acessórios

Lentamente encaixo a porca no parafuso...

As vias estão livres, uso a chave de fenda
E acocho diretrizes para que se compreenda

Que os planos cotidianos não dispensam o alicate
E em algumas partes faço uso da tesoura
Para nos detalhes os projetos terem vida duradoura.

Mas passarelas de solo batido usa-se a enxada
Para aparar-se a grama imprestável para o gado,
A foice abre passagem entre arbustos orvalhados
De cujas lágrimas lavo a alma dos desalmados...

O alpiste ao relento sacia a fome dos pássaros...
Nas mãos calejadas dos homens, marcas e o peso da pá
Que remove a sujeira e dá gosto novo ao paladar
Já tão cítrico com a faina incansável do martelo

Que, aqui e acolá, na cabeça dos pregos, remove farelos...

domingo, 27 de julho de 2014

Franquia Bélica

O homem vomita sua sanha assassina
Perante as inocências das populações civis,
Hediondo massacre que as consciências vis
Derramam impunes putrefazendo carnificina.

Os céus tornaram-se astrolábios de fogo,
No constrangimento das estrelas, pranto redimido
Que um mundo indiferente observa consumido
No vaivém da gangorra que enfeitiça tolos.

Séculos de uma guerra que nomeia marginais
Que comerciam o bélico dum universo em tédio
Diante dos trogloditas homicidas do Oriente Médio...

Brinca-se de matar...  Vilipendia-se a paz
Com a conivência dos que elaboram planos

E se dizem pacíficos, mas na realidade, desumanos!

Choro, sim...


Às vezes eu choro, sim... Por que não?
Minhas lágrimas lavam-me o rosto
Enferrujado perante as velhacarias do mundo...
Às vezes eu choro, sim... O quê há de anormal?
Minhas lágrimas correm-me a face
Envergonhada diante do desprezo social...
Às vezes eu choro, sim... O que é que há?
Minhas lágrimas despencam num chão
Deprimido perante a desfaçatez dos homens...
Às vezes eu choro, sim... Que mal há nisso?
Minhas lágrimas inundam-me o corpo
Cansado de ver e sentir a hipocrisia humana...
Às vezes eu choro, sim... É feio um homem chorar?
Minhas lágrimas anestesiam-me o olhar
Desesperançado diante das injustiças e humilhações...
Às vezes eu choro, sim... Perco a honra se pranteio?
Minhas lágrimas fazem-me perceber que o amor
Está enfermo e que a vida se plasma em ilusões...
Às vezes eu choro, sim... Deveria sorrir, por acaso?
Minhas lágrimas libertam-me de um êxtase inócuo
Quando verifico que o mal campeia pelos corações...
Às vezes eu choro, sim... Deverei parar de chorar?
Nunca! Minhas lágrimas fazem-me beber tristezas
Logo que observo uma total ausência de emoções...
Não é nem mais às vezes... Eu choro sempre
Porque o mundo se transforma, a mentira grassa
E a verdade, sem forças para resistir, acovardou-se...
Eu choro, choro, sim... As emoções estão carentes
Do sorriso que cedeu lugar à melancolia ...
Eu choro, choro sim... Vem chorar comigo!


sábado, 26 de julho de 2014

Estresse

Nossas maluquices são retratos da carência
Que o ego enfrenta nos declives da vida...
Nossa sintonia com o universo é falha
Porque a introversão bloqueia o sensitivo.

Há momentos em que desconhecemos o eu
Que existe e sobrevive solteiro em nós...
Quem nunca se perguntou: “Fui capaz disso?”
Quem nunca se inquiriu: “Será que consigo?”

A ausência de comunicação é tão intensa
Que os extremos “interior” e “exterior”
Parecem falar em idiomas tão distintos
Que o entendimento fica a mercê das hipóteses...

O mundo exige que sejamos deveras pragmáticos,
Não se encontra tempo para reflexões íntimas
E quando as horas nos doam alguns minutos
Simplesmente boicotamos os pensamentos...

Covardia? Absolutamente! É que navegamos
Pelas ondas do cansaço mental e a exaustão
É a plataforma que conduz a mente ao repouso
Para que tenhamos força para o dia seguinte...

O relaxamento é indispensável ao equilíbrio,
Todavia viver tornou-se aventura e coragem...
As técnicas do espreguiçamento são volúveis
E a concentração para o descanso é fantasia...

Uma boa música ou um filme interessante
Ajuda a combater o inconveniente estresse,
No entanto é necessário banir o cotidiano
Que nos apoquenta e faz vibrar preocupações...

Bom é quando se pode curtir inteira a natureza,
Tê-la perante o olhar durante horas seguidas
E mergulhar com consciência no âmago enfermo
E retirar de dentro de nós as ervas daninhas...

Um diálogo proveitoso com pessoas inteligentes
Igualmente coopera na restauração da anatomia
Que necessita de voltar a acreditar na existência
Para que o sonho de ser feliz se torne realidade!