sexta-feira, 7 de março de 2014

Louvor à Mulher

I Parte

Deus criou o mundo
E tudo o que nele existe,
Mas criou o homem solitário e triste
Deixando nele um vazio profundo.

Para colorir sua tela,
Fez com que o homem dormisse
E, sem que ele sentisse,
Tirou-lhe uma simples costela.

Quando o homem acordou,
Assim meio de repente,
Notou algo bem diferente
Que logo lhe produziu ardor.

Sua tristeza se dissipou
E ele agradeceu com bastante fé,
Tinha diante de si uma linda mulher
Que lhe ensinou as artimanhas do amor.

O amor de ambos foi imenso
E esqueceram séria recomendação,
A serpente maldita confundiu-lhes a emoção
E eles perderam o bom-senso.

Afastados do lugar sagrado,
Tiveram vergonha de sua nudez,
E cada um por sua vez
Entendeu a extensão do seu pecado.

II Parte

Descobriram um mundo deserto,
Vazio de tudo o que se quer,
Mas foi com a astúcia de uma mulher
Que o homem tornou-se mais esperto.

Labutaram intensamente para sobreviver
E com o amor fizeram a multiplicação,
Aprenderam a repartir o pão
Compreendendo a existência do divino Ser.

Missão sagrada foi dada à mulher :
Ser mãe dos homens na Terra,
Talento sublime que não se encerra
E que o mundo reverencia com orgulho e fé.

O planeta evoluiu, encheu-se de gente,
Os povos construíram suas nações,
Guerras dilaceraram sublimes corações,
Mas a mulher continuou firme e persistente.

Os homens sempre quiseram mais e mais,
Na ganância não pensam pôr um fim,
Desde o princípio que é assim,
Por isso o mundo não vive em paz.

O papel feminino sempre foi de preconceito,
Isso em todas as sociedades da História,
A mulher nunca pôde demonstrar sua glória
E sua atuação ficou restrita a lugares estreitos.

III Parte

Com o progresso a mulher não demora
A conquistar novos rumos, novos modos,
Derrubou a esdrúxula proibição do voto
E chegou à incrível sensação de trabalhar fora.

O espaço feminino foi aumentando,
Sua força demonstra sua saga,
Com o homem disputa uma vaga,
Mas seu coração prossegue amando.

Em todos os espaços sociais
Já não há quem atire pedras,
Hoje a mulher até dita regras
E condena homens nos tribunais.

Os antigos filósofos já anunciavam
Que a natureza se transforma constantemente,
Com a mulher não poderia ser diferente,
Eis uma verdade que elas proclamavam.

Seria insensato aqui enumerar
Todas as conquistas de que a mulher foi capaz,
Tudo o que ela diz ela faz,
Mas seu objetivo principal é amar.

O homem não vive nem vence sozinho,
Por trás dele há o retrato de uma mulher,
Sempre pronta para um momento qualquer,
Única criatura capaz de dar-lhe o verdadeiro carinho.

Poema publicado em meu livro
POESIA, AMOR E VIDA, editora Pensata,
1ª. Edição, Rio de Janeiro, 2010, página 53.

IVAN DE OLIVEIRA MELO

Brasil Cultural

Assim como geograficamente o Brasil é de dimensões continentais, a arte brasileira não deixa por menos. Somos artisticamente um país de Primeiro Mundo, nada devemos a quem quer que seja. Basta um rápido olhar na seara artística da Nação para comprovar-se isso. Desde a época colonial desfrutamos de engenhosos talentos que nos herdaram seus nomes e suas obras de grande quilate. Nos dias atuais a veracidade é a mesma. São inúmeros poetas, cronistas, contistas, romancistas, pintores, escultores, músicos... em todos os ramos há uma gama
de nomes respeitáveis, nomes que se equivalem aos nossos antepassados, contudo a política do país não abre espaço para a divulgação dos seus trabalhos, o que considero um crime de omissão. A educação há muito se rasteja e, devido a esse esdrúxulo fenômeno, o jovem da atualidade não valoriza nossa arte. São raros os que ainda aplaudem ou tecem elogios a uma obra de arte, mas tudo passa despercebido. E o jovem tem culpa? Claro que não, ele não é
adequadamente preparado para apreciar o que poderia dar-lhe uma nova visão de vida e de mundo. À educação carente, juntam-se moradia, saúde, trabalho...etc.
Em meio a tudo isso, observa-se o que vem se gastando para um empreendimento caro como a Copa do Mundo de Futebol, considero tal fato uma afronta ao paupérrimo homem brasileiro. É um acinte! Enquanto isso, os políticos estão de bolsos cheios, têm contas bancárias em paraísos fiscais, vivem do bom e do melhor, numa total depreciação aos irmãos menos favorecidos.
Talvez, até, alguém pergunte: “Por que escreves e dizes tudo isto?” A razão é muito simples: Sinto na própria pele tais problemas. Por exemplo, ter 60 anos concordo que é estar na terceira idade, não obstante tenho saúde e sou profissional qualificado, então me deparo com o preconceito e fico sem emprego. Outro detalhe importante para mim, sou poeta, contista e cronista, todavia igualmente a muitos por este país a fora, não tenho uma opção de possuir um programa governamental que me incentive a publicar o que produzo... o que publiquei até hoje ( 5 livros ) foi à custa de bastante sacrifício e livremente faço publicações nos meios de
comunicação social da internet ( redes sociais), só isso. Meu trabalho artístico e meu talento já foram devidamente reconhecidos. Ultimamente tenho recebido convites para participar de antologias nacionais e internacionais...Oferecem-me Comendas, porém...nada disso é gratuito, para tudo cobram-se taxas de participação e até entendo que sejam verbas destinadas à organização dos eventos de premiação. Na realidade, de nada posso participar, só mesmo responder aos e-mails e agradecer pela lembrança do meu nome, pois, não tenho condições financeiras para encará-los. Esta é minha realidade e, certamente, a de muitos que se encontram ocultos por aí.
O Brasil precisa de mudar, valorizar mais seu povo e seus artistas, criar programas de incentivo que possam divulgar nossa arte, assim sairemos de um estágio EMERGENTE e alcançaremos as alvíssaras de uma Nação respeitada dentro deste universo em que vivemos.

IVAN DE OLIVEIRA MELO

Força Eólica



A força dos ventos é distinta,
Mede-se conforme a intensidade,
Para conhecer-se sua idoneidade
É necessário de saber como ela pinta.

Os ventos caçulas são as brisas...
Crianças, têm menos de noventa graus,
São agudos por excelência, não sobem degraus,
São carinhosos, brincam e nunca infernizam.

Há os eólicos mais velhos, adolescentes,
São retos por natureza, não fazem mal,
Residem num espaço de noventa graus
E, quando sopram, parecem meio dementes.

Ah... Avassaladores são os obtusos,
Estes reinam absolutos, têm vários nomes...
Tornados, ciclones...tudo ferozmente consomem
Com medidas além dos noventa... são adultos!

Na atmosfera se escondem todos os ventos
Que secam nosso vestuário, amenizam calor,
Mas subitamente se alvoroçam com rancor
E nas tempestades extirpam quaisquer sentimentos!

Andarilho da Solidão



Sobre as folhas que o outono espalha
Vejo em teus pés nus o andarilho solitário
Que caminha destemido pelas ruas da solidão
E num beco chamado saudade dorme na aventura.

O vento açoita e teu pensamento tem frio,
Mas é no calor da nostalgia que te acolhe
Que o tempo te confidencia divinas mensagens
Que guardas em teu peito como ouro do mundo.

A noite envelhece teus sonhos mais urgentes
E na claridade do novo dia teus olhos resmungam,
Cobrando de ti as belas paisagens escondidas na madrugada...

A brisa da manhã apalpa tua face ainda sonolenta,
Em teu destino há veredas impúberes e vazias,
Tua fadiga é tanta que a consciência teima em não despertar!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Tecelagem Vernácula

Tear uma palavra é revesti-la de sentimento,
Da emoção tem-se o caráter que a encanta,
Modela-se o talento com genes criativos sob demanda
Da sensibilidade intrínseca que edifica monumentos.

Do vernáculo do idioma o vocábulo é canção
Donde de extrai a sensação sutil do tom sublime
Que a inspiração decodifica e o senso artístico imprime
Revelando o éden transcendental onde transita o coração.

Numa semântica abastada o termo não tem menopausa
E os distintos significantes traduzem significados que causam
Vitrines de esplendor que dão consistência ao argumento...

Tear normas dentro do campo infinitesimal da gramática
É presumir livres acessos do grotesco às construções enfáticas

Para que a mensagem seja o coeficiente de todos os momentos! 

Compromisso e Responsabilidade



Em cada verso que escrevo
Partilho pedaços de amor com quem lê,
Certamente compartilho com você
Que busca compreender meus ensejos!

Quem escreve vive num mangue
À caça da palavra certa para o leitor,
Carinho e talento se unem, criam no amor
Uma verve de emoção que é sangue!

Deleite e informação sem disparates
Engendram este mecanismo de arte
Em que autor e público são um só...

Com o diálogo interpretativo vem a confiança,
Com sinceridade obtém-se a herança
Do escrito que atravessa séculos sem nó!

terça-feira, 4 de março de 2014

Diretrizes


Enquanto todos dormem,
Meus olhos vasculham o universo,
Meu pensamento confecciona versos
E minha consciência fala de amor...

Enquanto todos sonham,
Sou da noite o vigia,
Minha pena traça fantasias
E minha sensibilidade é vapor...

Enquanto todos se cutucam,
Sou lençol que enxuga prantos,
Estrela de uma vida cheia de planos
E minha sensualidade é ardor...

Nos lábios que acumulam desejos e pó,
O beijo não é melodia de uma nota só!