domingo, 7 de outubro de 2012

Reflexos Fantasmagóricos



Fortes  badaladas.  Meia  noite  em  ponto.
Meu  corpo  estremece  pela  extensa  agonia
Do  silêncio  que  ensurdece  a  madrugada  fria
E  a  solidão  nefasta  de  fantasmas  em  confronto.

Ventos  assobiam  produzindo  terrível  pânico
Fecundados  pelo  piscar  das  luzes  gripadas,
No  choro  da  criança  que  desperta  lívida  e  atormentada
Tem-se  o  medo  desenvolvido  por  um  frenesi  titânico.

Na  neblina  que  baila  sobre  nuvens  escuras
Desponta-se  a  fobia  que  o  desenho  depura
Diante  do  cintilar  de  estrelas  que  estão  tristes...

Temperatura  que  congela  sonhos  ainda  persistentes
De  um  orvalho  noturno  em  que  nada  é  transparente
E   fecundam  devaneios  de  uma  realidade  que  não  existe!

Circunstâncias



“Se  correr  o  bicho  pega,
Se  ficar  o  bicho  come”,
Se  perder  perece  de  fome,
Se  ganhar  canta  um  brega.

Com  empate  não  se  conta,
  tem  valor  de  metade,
Tira-se  o  pão  da  boca  do  frade
E  o  deixa  morrer  sem  nada  contra.

Busca-se  a  vitória  com  tenacidade,
A  derrota  é  uma  ignóbil  fatalidade,
Um  incidente  de  percurso  que  entristece...

Sorrisos  e  lágrimas  parecem  lantejoulas
Que  adornam  circunstâncias  presentes  ou  vindouras
Diante  de  uma  vida  marcada  pelo  estresse!

Política e Amor



Amor  e  política  trilham  as  estradas  da  ilusão...

Tornou-se  corriqueira  a  manipulação  por  aparências
E  o  mundo  dorme  numa  rebelião  de  sádicas  inconsequências

Lesado  pelo  engodo  que  traveste  o  que  seria  transparente
Deixando  o  ser  humano  sem  rumo  perante  o  que  mentem
Numa  anestesia  de  “lato  sensu”  que  enfeitiça  a  emoção...

Os  politiqueiros  trabalham  visando  ao  próprio  benefício
Atropelando  dizeres  prolatados  em  campanhas  de  fachada,
Ao  povo  restam  promessas  que  se  configuram  no  nada
E  a  vida  para  quem  não  nada  é  eterno  precipício...

O  amor  é  metamorfoseado  pela  imprudente  ambição...
Grande  parte  dos  que  amam  buscam  o  que  o  outro  tem,
O  sentimento  fica  nocauteado  pelo  constante  vaivém
De  obter-se  o  lucro  pelas  veredas  do  puro  interesse
Que  naufraga  nauseabundo  diante  da  ausência  do  ter-se...


sábado, 6 de outubro de 2012

Comes e Bebes



O  amor  em  mim  torna-se  um  omelete
Cheio  de  vitaminas,  mas  recheado  de  gordura,
Proteínas  e  carboidratos  são  energias  que  duram
E  fazem  meu  sentimento  virar  manchete.

Emoção  que  transborda  e  se  mistura  ao  sabor  da  picanha
Produzindo  calorias  que  ousadas  sensações  devoram
Nas  linhas  enzimáticas  que  demarcam  as  horas
Num  tear  nutritivo  com  cobertura  e  molho  de  lasanha.

Sensualidade  regada  a  doses  adocicadas  de  vinho  tinto
Em  taças  de  cristais  que  se  quebram  quando  sinto
Que  o  paladar  vomita  aptidões  isentas  de  estrutura...

Adormecida  por  circunstâncias  que  ferem  bons  princípios,
A  insensibilidade  massageia  o  organismo  carente  do  psíquico
E  até  desmantela  o  olfato    muito  habitante  da  sepultura!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Solidão Exótica



Luizinho. Quinze  anos.  Lindo menino!
Belíssimos  olhos  azuis,  corpo  de  atleta.
Vivia  angustiado,  sempre  alerta,
Pois  era  tratado  com  todos  os mimos.

Seus  cabelos  loiros  pareciam  seda
E  ele  os  tratava  com  bastante  orgulho,
Mas  sua  vida  era  pálida,  cheia  de  embrulhos,
Plena  das  mais  inconfessáveis  facetas.

Um  dia  despiu-se  diante  do  espelho,
Seu  corpo  imberbe  apresentava  transformação  lenta,
Em  sua  pele  macia  a  mão  desgovernada  enfrenta
Uma  auto-carícia  no  púbis  branco  e  vermelho.

Logo  uma  intensa  sensibilidade  aflora
E  ele  se    envolto  em  grande  excitação,
Sua  mão  nas  órbitas  faz  dançar  num  enorme  tesão
Um  espesso  conteúdo  que  traz  o  tremor  da  aorta.

A  outra  mão  percorre  o tórax  de  veludo
Em  que  pequenos  mamilos  estão  cheios  de  desejo,
Os  dedos  apertam  levemente  essa  vitrine  de  lampejos
E  da  boca  escapam  exóticos  delírios  sobre  o  corpo  desnudo.

O  baile  das  mãos  silencia  o  agitado  coração
E  no  auge  do  prazer  ouve-se  um  último  gemido,
A  massa  branca  que  navega  até  o  encantador  umbigo
É  o  produto  que  enobrece  singular  sensação.

Breve  sorriso  delata  na  alegria  a  auto-afeição
E  o  espelho  fotografa  nádegas  perfeitas,
Um  banho  revigora  as  energias  desfeitas,
Mas  as  horas  retomam  uma  rotina  carente  de  emoção.