segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Feitiço de Porcelana



Ouço  a  voz  da  solidão...
Minha  saudade  flutua
Em  tua  aparência  nua
Onde  cultuo  meu  tesão...

Teu  corpo  fino  atordoa
Um  êxtase  que  é  amor,
Naufrago  em  teu  sabor
E  o  viço  não  fica  à  toa.

Volúpia  que  me  enfeitiça
Uma  nudez  nada  postiça
Num  corpo  de  porcelana...

Excitação  de  puro  desejo
De  ter-te  entre  os  beijos
Que  molham  minha  cama!


Eu gostaria...



Eu gostaria de ver o sol nascer...
Eu gostaria de banhar-me ao luar...
Eu gostaria de navegar... navegar...
E no final do caminho encontrar você!

Eu gostaria de chorar aos seus pés...
Eu gostaria de flutuar à sua procura...
Eu gostaria de ter ternura... ternura...
Sem precisar de contar até dez!

Eu gostaria de chover em sua horta...
Eu gostaria de à noite bater à sua porta
E ser recebido com flores de algodão...

Eu gostaria de ter seu dourado carinho...
Eu gostaria de poder mostrar o caminho
A fim de receber você em meu coração!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Retorno



Nada  mais  importa,
Tua  máscara  no  chão  rola,
Agora  sobreviverás  das  esmolas
Que  negaste  em  tua  porta.

O  tempo  sancionou  o  retorno
E  trouxe  para  ti  as  pragas,
Quem  aqui  faz,  aqui  paga,
Nisso  não    nada  de  novo...

As  horas  correm  sombrias,
Tudo  se  vê,  tudo  se  espia,
Dissolve-se  o  que  parece  secreto...

Os  vícios  assinalam  o  incerto
Que  sucumbem  perante  o  Reto
Em  que  se  sobressaem  divinos  decretos!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sua flor...



Tenho  uma  flor  para  você
Regada  com  o  carinho  do  coração,
Não  é  uma  flor  enfeitada  de  ilusão,
Ela  formou-se  num  canteiro  de  prazer!

Dei  seu  nome  a  esta  flor
E  ela  cresceu  linda  e  desinibida...
Saiba  você:  esta  flor  é  minha  vida
Que  vive  ansiosa,  repleta  de  amor!

No  silêncio  de  sua  timidez  eu  intento
Levar  o  aroma  do  meu  real  sentimento
E  dizer-lhe  quase  sussurrando:  sou  seu...

Tome  da  mangueira,  cuide  desta  flor,
Não  a  deixe  murchar,  nem  mudar  de  cor,
Pois  o  reflexo  de  sua  vida  sou  eu!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pânico



No  calor  da  noite  o  relógio  anuncia  a  madrugada
E  me  vejo    perante  as  paredes  do  quarto,
Dentro  de  mim  um  torvelinho  me  deixa  farto,
Pois  na  solidão  meu  pensamento  parece  cavalgada...

Logo  uma  taquicardia  desregula  meu  metabolismo
E  os  calafrios  despontam  assanhando  meu  medo,
Diante  do  silêncio  absoluto  no  tarde  ainda  é  cedo,
A  imaginação  trabalha  lúgubre  em  meu  psiquismo.

Recolho-me  ao  leito  e  me  cubro  totalmente,
Contudo  o  receio  deixa  arrepiada  a  mente
E  o  sono  navega  entre  a  realidade  e  a  ilusão...

  fora,  em velocidade,  o  vento  silva  forte,
A  consciência,  em  pânico,  apela  que  um  passaporte
Da  noite  traga  o  dia  para  abrandar  meu  coração!



domingo, 9 de dezembro de 2012

O Advérbio



A  circunstância  é  meu  prato  predileto,
Dou  intensidade  em  bastantes  aspectos,
Expresso  modo  com  engenhos  discretos
E  sinalizo  lugares  com  exatidão,  decerto...

O  sim  é  privativo  das  minhas  afirmações
E  a  dúvida  campeia  em  sintomas  incertos,
No  tempo  sou  divindade  diante  do  concreto
E  me  aborreço  quando  disserto  negações...

Pelas  veredas  sintáticas  ganho  locuções
Que  exprimem  com  finalidade  colocações
Em  que  o  instrumento  da  causa  é  a  companhia...

Recordo-me  que  sou  um  adjunto  simpático
E  sendo  invariável  sofro  flexões  de  grau  gramático
Num  contexto  cujo  assunto  é  minha  primazia...