segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Carcaça Impúbere

 Beleza plástica e um nirvana de futilidades...

A vaidade é marca registrada dos seus perímetros
E no íntimo a frivolidade acomoda-se como arrimo...

Desenha-se seu perfil mirando-a como modelo
Que assanha as passarelas encantadas do universo infantil
Num desfile em que as imagens são um vazio platônico...

Nada em si retrata qualquer sinal de eloquência,
Seus idealizadores são uma fotografia travestida
Do pensamento desértico que segrega como inseticida
Qualquer vislumbre que possa dar vida à sua essência...

Esta é a moldura das bonecas que fomentam o passatempo estéril...
Barbies, Susies e outros tantos nomes que alimentam a cobiça
Das cabeças inúteis que saciam a fisiologia da preguiça
E trazem às mentes imberbes e ingênuas o testemunho da trapaça
Que incorpora numa maquete humana o que é pura cascata!

Perseverar...Sempre!

Não há por que desistir,
A esperança apenas está enferma... não morreu!
Se fecho os olhos para os ideais meus,
Meus passos trilharão incertos pelas estradas do porvir!

É verdade que intensa fogueira deixa cinzas em minha vida,
Labaredas lambem meus projetos... tudo são ruínas!
Mesmo capengando e tostado ainda vislumbro esquinas
Por onde caminharei trôpego em busca da vitória destemida!

Meu sangue não se entrega, torna-me tenaz lutador...
Só a morte é única adversidade que me faz fantoche
Perante as encruzilhadas da existência e do deboche
Que incineram corações covardes e carentes de amor!

Meu pranto dissipa ilusões e é essencial vitamina
Que me fortalece a sanha do espírito que não adormece,
Diante do galardão que me impulsiona venço o estresse
E os obstáculos se transformam em energia da minha oficina!

Não se permite que os espinhos perfurem a perseverança,
Pois é certo que após tenebrosas tempestades advém a bonança!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Indolência



Vejo  tantos  conflitos  que  poderiam  ser  evitados,
Percebo  tantos  disse-não-disses  do  quotidiano
Que  às  vezes  remancho  na  elaboração  de  planos
Por  sentir-me  acanhado  e  deveras  ressabiado.

Numa  overdose  de  vergonha  adormeço  no  dissabor
De  ver  fluir  o  tempo  dentre  ilusórios  aperitivos
Que  incendeiam  a  marcha  de  patéticos peregrinos
Que  não  enxergam  que  a  ração  do  mundo  é  o  amor.

As  horas  percorrem  perante  as  fraturas  da  existência
E  os  andaimes  que  se  alevantam  caem  pela  indolência
Dos  olhares  viciados  pela  contramão  nas  estradas...

Sonhar  é  antídoto  para  viver-se  isolado  em  cavernas,
O  chão  da  vida  exige  alento  e  perambular  de  pernas
Que  sejam  indiferentes  ao  galanteio  de  mãos  acomodadas!


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Arte Lusitana


No palco de minha consciência vejo
Grandes artesãos da arte de além-mar,
Florbela, a incompreendida, sofreu por amar
E nos deixou incomparável obra do país de Alentejo.

Minha observação jamais se destoa
E paira sobre as composições dos heterônimos,
Rasga-se a trivialidade diante do fenômeno
Que deu ao deleite poético o talento de Fernando Pessoa.

Diagnosticar-se o gênio sem ser mago
É tarefa da voz que acaricia os corações,
Exultar Eça de Queirós e reverenciar Camões
Trata-se de editar continuísmo na excelência de Saramago.

Outros nomes me fazem beijar este pedestal
Que é o esplendor artístico em que se guarda Portugal!

Oficina de Adeereços


Horas e horas numa oficina de construção pessoal
Trazem ao pensamento raízes de novos objetivos...

A vida em si é tão somente incentivo
Para compreender-se o universo imaterial...

O que os olhos não veem o coração se ressente,
Pois não tem como edificar a natureza de um mundo
Que pulula na imaginação criativa da mente...

Desnuda-se a fantasia perante o transcendental
E a consciência desenha adereços que parecem vivos,
Mas que perecem na vigília dos ideais intuitivos!

Princípio e Fim


Sombras são rascunhos dos mistérios da vida...

A existência é eclética, mas plena de segredos
Que atordoam a mente do homem a cada amanhecer...

O conhecimento esbarra em seu quesito de origem
Nomeando especulações que desnorteiam no ciclo vital
Também a relação que compreende a esfera do destino...

Donde vim? Aonde vou? Isto são enigmas
Que corroem a consciência humana de todas as estações...
Preceitos religiosos através da fé consolam os corações
Que se contentam com as veiculações desse paradigma.

Ao longo da História filósofos elaboraram hipóteses
Que a ciência moderna rechaça e atribui ao psiquismo
De um estágio do raciocínio que navega em falsos juízos...
O que dizer dos vultos estranhos em derredor dos indivíduos?
São efeitos de uma imaginação desequilibrada pelo altruísmo?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Advertência



Não  se  atira  pedras  no  escuro,
Também  não  se  grita  no  silêncio,
Aroma  nefasto  se  combate  com  incenso
E  perante  o  nada  se  pensa  em  tudo...

Não  se  joga  a  tolha  diante  do  insucesso
Nem  se  chora  derrotas  se  a  guerra  não  acabou,
Batalhas  perdidas  são  estratagemas  que  o   amor
Tece  à  revelia  do  mal  que  é  réu  confesso.

Jamais  se  cuspa  no  prato  em  que  comeu
Nem  na  noite  se  revele  segredos  a  Morfeu,
Pois  nos  ouvidos  das  paredes  reside  Judas...

Não  se obtenha  felicidade  à  custa  de  protesto,
A  massa  ressabiada  pode  não  entender  o  gesto
E  tudo  culmina  numa  pizza  insossa  e  impura!