sábado, 4 de maio de 2013

Pedaço de mim...



Eu  não  quis  acreditar  que  houvesse  despedida,
Meu  raciocínio  cria  que  tão  somente  ela  dormia,
As  lágrimas  e  as  flores  do  ambiente  eram  de  melancolia
E  minha  ficha  teimava  em  não  cair,  desentendida...

Em  seu  profundo  sono  notava-se  uma  face  serena
Que  contemplasse  em  sonho,  talvez,  um  jardim  de  primavera,
Não  havia  risos,  só  choro  pela  alcatifa  da  passarela
E  um  tecido  branco  que  cobria  seu  corpo  de  açucena.

Meu  olhar,  então,  concentrou-se  em  suas  mãos,
Mãos  de  veludo  que  protegiam  com  cuidado  um  coração
Que  amou  e  foi  amado  pelas  aventuras  da  vida...

Súbito  caí  em  mim  quando  colocaram  a  tampa
De  um  caixão  que  levaria  a  ninfa  à  sua  campa
E  um  pedaço  de  mim  que  também  estava  de  partida!

No ritmo dos búzios


Os ventos me levam a conviver dilemas
Que me deixam depressivo, macambúzio...
Eu mesmo rolo no tapete os búzios
E teço soluções para apaziguar problemas.

Nos resultados indico-me os esdrúxulos,
Pois os convencionais já são deveras conhecidos,
Com a mediunidade alheia enganam-se os sentidos
E diante desse panorama sou meu próprio bruxo.

Dispenso adereços que fazem do ritual fantasia
E no rebolar das pedras há mensagens que são magia
De uma arte donde se entende o que se quer...

Terapia psíquica que não convence, mas acalma,
Tornando desejos impossíveis algo que se apalpa
Pela imaginação que desenha uma satisfação qualquer!

Recheios da Estação



A  primavera  é  o  charme  da  natureza,
Sol,  flores,  frutos...  adorável  aroma,
O  pensamento  enfeitiçado  formula  axiomas
Colorindo  a  linguagem  de  colossal  beleza.

A  ótica  produz  inspiração  de  mavioso  fulgor
Em  que  cada  palavra  é  sinônima  de  amplexo,
Oscula-se  a  face  do  tempo  que  fica  perplexo
Perante  irradiações  oclusivas  que  falam  de  amor.

No  espaço  a  consciência  é  dama  das  horas
Que  nutre  a  reflexão  do  nirvana  e  decora
Com  o  bálsamo  da  sabedoria  a  inteligência...

A  brisa  fecunda  o  odor  que  se  espalha
E  enche  o  universo  primaveril  de  medalhas
Que  são  a  apoteose  sincrônica  da  eloquência!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Horas Íngremes



Tempo  chuvoso,
Eu  e  o  quarto,
Solidão,  reparto...
Pranto  novo.

Saudade  fere,
Coração  entristece,
No  âmago,  estresse...
Lágrima  desce.

Olhar  perdido
Do  vácuo  encardido
No  porão  da  intimidade...

Violência  de  sofrer
Ausência  de  prazer...
Morte  é  felicidade?

Mensagem Poética



O  poeta  nem  sempre  está  de  bem  com  a  vida...

E  nem  a  vida  azul   com  o  poeta...
Eis  um  poema  que  é  a  fotografia  de  quem  o  escreve...

Dizem  as  religiões  que  é  pecado  pedir  para  morrer,
Mas  se  a  vida  e  seus  encantos  já  não  dão  prazer
Melhor  orar  ao  Altíssimo  e  suplicar  pela  partida...

Estou  divorciado  do  mundo,  terra  ingrata
Que  suga  sangue  inocente,  explora  até  a  velhice,
Depois  abandona  o  indivíduo  com  vigarice
E  o  joga  ao  desprezo  que  fere  e  maltrata...

Enquanto  útil  for  em  evidência,  a  existência  finge  amor...
Desempregado,  desesperado,  vivendo  à  custa  de  caridade
Quando  lucidez  ativa  ainda  é  luz  da  incansável  personalidade,
Mas  trabalho  decente  que  é  negado  pelo  preconceito
De  um  corpo  que  labutou  e  que  a  idade  rouba  tal  direito...

Em  ritmo  depressivo  vou  consumindo  o  tempo  que  me  resta...
É  aí  que  num  corpo  são  e  mente  sã  aparecem  doenças
Provocadas  pelo  ócio  e  pela  homicida  amargura  que  se  enfrenta
De  ver-se  solitário  perante  um  universo  maquiavélico  e  egoísta
Que  expulsa,  esconde,  possibilidades  de  novas  conquistas...

Por  isso  dialogo  nas  caladas  da  noite  com  o  Supremo,
Rogo  insistentemente  pela  jornada  eterna  e  definitiva,
Que  me  abrande  o  caos  de  ser  figura  assaz  decorativa
E  me  destroce  em  mim  linhas  de  tangentes  e  cossenos...

Não  vou  beber  da  cicuta  por  próprios  impulsos,
Aí  sim,  configura-se  o  exercício  do  pecado  maior
E,  mesmo  sofrendo  vicissitudes,  melhor  conformar-se  só...

As  horas  urgem...  Dívidas  se  acumulam  porta  adentro
E  à  poesia  faço  doação  de  meus  últimos  talentos

Já  que  a  vida  em  si,  em  mim,  tornou-se  utopia!