quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Círculo Concêntrico

Vês, vivemos intensamente amarrados
Numa redoma de pensamentos esferoides,
Tesão turbulento expele cínicos espermatozoides
Que fecundam óvulos por todos os lados.

Vês, na circunferência do mundo há ciganos
Que pululam às margens de lágrimas cilíndricas,
Vaidosas faces tecem através de mímicas
Desejos anatômicos que ferem sonhos mundanos.

Vês, há refluxos que mitigam o respirar
Das emoções frenéticas que teimam amar
Perante o círculo vicioso da malograda vida...

Vês, somos aves de rapina com asas cortadas
E não conseguimos controlar o anseio das manadas

Que se dizem humanas, mas têm existência postiça!

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Solidariedade Íntima

Saiba de uma coisa: você nunca está só!
A solidão que nos envolve é apenas aparente...
Não é necessário ser religião, nem ser crente,
Tampouco é engenho ou artifício de catimbó!

Qualquer um é capaz de conviver consigo
Numa relação amistosa ou de profundo amor,
O eu é o melhor confidente seja lá como for,
Pois, traição é conselho íntimo isento de perigo!

Dê a mão à palmatória: desvende-se intimamente,
Seja anfitrião de si mesmo, pergunte à sua mente
E responda sincero sem questionar se é maluquice...

A humanidade fica indiferente se somos secretos,
Talentos e segredos necessitam de cofres concretos...
Para muitos, gênios são loucos ou travestidos patifes!



Quadritempo

Com o escoar do tempo, o dia chora
A ingratidão das horas que vão embora
E torna o passado simples recordação...

Nas folhas que caem o outono renova
Anseios tímidos escondidos na alcova
Dum anfiteatro onde exala a emoção...

No inverno a chuva varre intenso odor
Que paira sobre a atmosfera cinzenta,
Nas lembranças que o plasma acalenta
Labirintos tecem sentimento multicor...

Primavera: o orvalho é senhor do olfato
Que tinge reminiscências sem alarido,
A vida se transforma num verão florido
Em que o amor é o sol dos enamorados!


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Percepções

Vejo-me cantador da noite sem lua
E das estrelas gripadas que tossem ao vento,
Vejo-me andarilho sem ruas, ao relento,
Esperando o sol abrir-se na natureza nua...

Sinto-me solidão perante a paisagem apócrifa
E da saudade abstrata do pensamento sou dono...
Choro e sorrio, soluço... gritar não há como,
É que me afoguei em mim no dom da retórica...

Percebo-me cego a vagar sem destino certo,
Nas horas que voam não sei se estou perto
Do limbo que me fará navegar em minha aorta...

Observo-me canhestro em busca de sofreguidão,
Mas estou só a travestir de engodo meu coração
Tão fatigado duma seara inóspita e nada mais importa!


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Tudo depende de si mesmo...

Deixe o rio correr livremente pelos campos,
Apenas observe a extensão de suas águas...
Inteligentemente ele ultrapassa obstáculos,
Desvia-se impune das barreiras à sua frente
E finaliza sua caminhada desaguando no mar...

Vislumbre suas pegadas pelas veredas da vida,
Verifique que na areia fica uma dose da fadiga
Que abate sua resistência e mina sua esperança...
Há uma entrega total ao desânimo, a luz se apaga
E uma escuridão que é vácuo elimina suas forças...

É necessário conhecer as virtudes da paciência,
O deserto só existe na imaginação que é enferma...
Faça como o rio, permita-se levar pelas paisagens
Que a existência põe nas estradas do que é destino
E, certamente, o sinuoso transformar-se-á em retas...

Coragem e confiança são os atributos da vitória,
O suor que molha seu corpo é moeda da persistência,
É a alavanca que impulsiona a energia do real viver,
Que faz vibrar em si a certeza de que tudo é possível

Num mundo onde desconfianças e mentiras enodam a fé! 

Epidemia de Ilusões

Insensatos vertem paradigmas que surpreendem...

Na luxúria das palavras há consciências desmioladas
Que singram apanágios das contundências cotidianas

E fertilizam incertezas que se agrupam perante o ócio...
Inteligências diamantinas retiram serpentinas desse sacerdócio
E as transformam de sepulcro em vidas de grande eloquência.

A caráter: O que vilipendia o eixo social?
Os pseudo confetes que adornam a superfície da verdade?
Os inconsequentes ininteligíveis que vivem da vaidade?
Ou o povo assentado na vitrine de sua aurora boreal?

Os inconscientes sobrevivem na fogueira das ilusões...
Diante do extrato verifica-se intensa inadimplência
Dos que consomem alfazema na esteira do mundo
E deixam urtigas permearem o solo da inocência,

Contudo, o tempo é candidato ao alabastro das gerações!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Nicho de Amor

Meu tempero tem ingredientes afrodisíacos
E vós vos debruçais sobre intenso magnetismo,
Em meu corpo tereis vegetação sem ilusionismo,
Ternura em abundância e carinho de teor empírico.

Em meu regaço dormitareis sempre vosso cansaço
E escutareis magia para extasiar vosso ardor,
Viajareis num bálsamo em que eflúvios são amor
E, de mim, podereis patentear cada pedaço...

Não desvendareis aventura, mas simbiose e ventura
Que compartilharei convosco sobraçando a clausura
Onde, num nicho de sonhos, dar-vos-ei alegrias...

Sobre vós derramarei devaneios sem castrar a esperança,
Abrir-vos-ei a memória para que finqueis na lembrança
Um tesão que não é paixão, porém amor sem fantasias!