quinta-feira, 10 de agosto de 2017

MEUS CENTAVOS



Eu ganho meus centavos
E as eles dou-lhes valor,
Não importa serem moedas,
De qualquer maneira é “grana...”
Eu tenho meus “grilos”
E eles umedecem meu coração.
Destoo, pareço assim meio vulgar,
Rondo o quotidiano, busco um lugar
Onde eu possa viajar dentre alegorias
Que produzo em minha fábrica
De inspiração. São lindas fantasias!

Efetivamente tudo eu ganho.
Meus centavos valem muito,
Pois com eles nutro minha alma
Com um doce alimento: esperança!
Não tenho receio de me ver perdido,
Na verdade é necessário que me perca
A fim de que possa encontrar-me
Diante de minha consciência...
Nem toco na inconsciência, é nula
E vive a confabular com os sonhos
Que insistem diariamente em ser reais...

Ora, a realidade é uma chama em mim
E ninguém toma ou apaga, porquanto
São os meus inesquecíveis centavos.
Posso ratificar então que tudo tenho.
Quem sabe valorizar seus centavos,
Certamente de tudo entende
Visto que esses irrisórios valores
Parta uns são a epopeia de quem
Sabe exatamente o que quer da vida.

Não me aparto dos meus centavos.
Da parte inteira tenho apenas notícias
De que a inflação a corrói dia após dia,
Logo meus centavos são meu espelho,
Minha alça de mira, sempre são top...
Enquanto a maioria os menospreza,
Eles limpam meus sapatos,
Engraxam minhas botas,
Dão brilho ao meu atelier...
E meu atelier nada mais é
Do que a mão estendida perante o povo:
Dê-me uma moedinha pelo amor de Deus!



DE  Ivan de Oliveira Melo

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

TÊXTEIS

Meu corpo é tecido, logo, tem fiapos...

Vivo a catar retalhos diante de mim
E, como sou histológico, sou científico,

Possuo inúmeras camadas têxteis, será?
Só que essa textura é orgânica, bem viva,
Mas inorgânica debaixo de sete palmos...

Através dos poros da pele absorvo energia,
Pela derme e epiderme sinto frio e calor,
Suo, ou simplesmente deveras me arrepio,
Ou sinto mil estranhas sensações ignóbeis...

Meu corpo é tecido: seda, algodão, não sei.
Talvez cambraia ou chita... quiçá até jeans!
Devo engomar-me, pregar meus botões...
Ao redor de mim há o que chamam vida
E meus órgãos todos estão dentre os tecidos!



DE  Ivan de Oliveira Melo

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

RETICÊNCIA

Talvez eu seja uma reticência...

Sim, há coisas que deixo no ar,
Há palavras que caem no mar...

Pensamentos fogem de mim
E se escondem entre as nuvens
Dum céu plúmbeo e argênteo.

Sonhos ebúrneos me sacolejam
Diante dum tempo invernoso,
Onde o sono já não é mais gozo,
Tampouco fantasias de algodão...

É possível que seja eu reticência
De minha paixão insana e febril...
Há segredos trancafiados no sal
Dos meus raciocínios e vizinhos
Do açúcar que adoça a primavera!



DE  Ivan de Oliveira Melo

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

DIMENSÕES RACIONAIS

Trato a consciência com devida decência
De ser inato perante a ovulação mental,
Vejo o inconsciente como réprobo letal
Capaz de decretar vacante a experiência.

Tiro do raciocínio os extremos da existência
A fim de que no miolo das ideias haja verdade,
Pois no confronto com a hipocrisia, a infidelidade
É o monstro que derriba arroubos e tendências...

Compreendo que a insensibilidade é frenética
E que a sensualidade é o perfume da dialética
Donde se extrai a fragrância do instinto animal.

Aceito compartir estratagemas que tracem ideais
Visto que todas as enciclopédias são exponenciais
E delatam e dilatam frações no contexto emocional!



DE  Ivan de Oliveira Melo

SINTOMAS

Quando se adentra à terceira idade,
O sono não é versátil, sonhos jazem,
O raciocínio remói na cama suculenta
E, no quarto escuro, trevas são festas...

Os olhos contemplam o vazio, sem rumo...
Na memória incandescente, fatos são trapos
Que se perderam no tempo fosco... Bobagem!
A vida se completa no ápice hediondo da cripta.

Ruídos exteriores se manifestam... É a guerra!
Luta infindável contra os ouvidos senis... Aorta
Se dilata a fim de que o vexame tétrico se cale.

Alerta! Suspiros esvoaçantes atingem o clímax
E no silêncio de uma cova salpicada de flores
Há tremores que fazem renascer a esperança!



DE  Ivan de Oliveira Melo

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ADICCIÓN

Yo como todos los días.
Eso es una necesidad..

Yo duermo todos los días.
Eso es un hábito.

Yo escribo todos los días.
Eso es un costumbre.

Yo asisto a la tv todos los días.
Eso es un pasatiempo.

Yo siempre charlo con mis amigos.
Eso es vivir en comunidad.

Yo hago muchas cosas todos los días.
Eso es supervivencia.

Yo pienso en usted a cada instante.
Eso es un vicio. Eso es amor!



DE  Ivan de Oliveira Melo

PACIÊNCIA

Efebo não sou eu, sou outro
E como não sou, não sou ouro.
A vida me torna virgem, donzelo
E, como estou imaculado, atrelo e
Diante desta imagem sou louro!

Mancebo que vive entre enseadas
A perambular pelas areias... Estouro
As bolhas que se ficam no solo, azadas.

Não me aflige o ar da terra úmida,
Somente banho a consciência esculpida
Pelo sal que arrolo ante a pele meio tímida

Sem compreender porque visto a túnica
Do anjo casto que não está ainda no prelo,
Mas que sonha e vive... Ser homem: espero!



DE  Ivan de Oliveira Melo