sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Diagnóstico Hediondo



Perante  as  mazelas  que  a  vida  absorve,
O  homem  é  uma  estrela  apagada,
Perdeu  seu  brilho  na  ambição  desenfreada
E  nada    que  o  compenetre,  nem  o  renove...

Na  chuva  ácida  que  transforma  o  mundo,
Bem  e  mal  caminham  por  veredas  parelhas,
No  viaduto  em  que  as  atitudes  se  espelham
Bailam  freneticamente  exemplos  vagabundos...

No  céu  de  hoje  não    o  que  se  viu  ontem
E  no  amanhã  mãos  deliberadas  que  consomem
Os  farelos  que  restam  inertes  no  chão...

Suicidas  manipulam  os  alicerces  da  existência,
O  caos  é  o  retrato  monitor  dessa  consciência
Que  de  ponta  a  ponta  vara  um  universo  sem  coração!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Reflexos da Paixão



Muito  zelo  para  não  contaminar  o  pranto
Que  ensopa  minha  face  de  pujante  solidão,
Minha  alma  caduca  enredada  por  voraz  paixão
E  ao  remexer-se  na  volúpia  intensa  torno-me  insano...

O  vento  vagueia  e  consterna  de  saudade  o  viço
Que  caminha  trôpego  pelas  alamedas  do  destino,
O  sentimento  cresce,  mas  usa  vestes  do  menino
Que  ainda  se  encanta  pelo  bailado  do  feitiço.

O  silêncio  é  filho  da  nostalgia  fecunda
Que  respira  pelas  frinchas  dos  sussurros,
Embriões  deletam  delírios  que  são  impuros
Par a  que  se  orvalhem  sensações  que  o  amor  secunda...

No  tear  da  composição  a  inspiração  é  o  reflexo
Que  traz  na  melodia  um  ritual  complexo!

Na ousadia do amor...

Ao  longo  da  lentidão  dos  anos
Inspiraste-me  intensa  sedução,
Aliciaste  de  ternura  meu  coração
E  deixaste-me  edificar  sonhos  e  planos.

O  amor  umedeceu-me  as  fronhas
Nas  noites  em  que  me  punha  a  pensar,
Em  tua  imagem  o  desejo  de  te  amar
E  deixar  inocular-me  por  tua  peçonha...

Amo-te...  Permite-me  assediar  teu  viço,
Quero  ser  vítima  na  combustão  do  teu  feitiço
E  saborear  o  encanto  de  tua  timidez...

Ao  abraçar-te  a volúpia  quero  ser  feliz,
Beijar  tua  boca  e  teu  corpo  como  sempre  quis,
Pois  de  mim  para  ti  o  amor  se  fez!


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Tensões Desvairadas



A  vida  me  condiciona  a  amar  intempestivamente,
Mas  em  meu  coração    razões  que  a  própria  razão  desconhece,
É  fogo  cruzado  em  linha  de  batalha  que  produz  estresse
Num  campo  bélico  onde  saudade  e  solidão  se  misturam  incessantemente.

O  tempo  é  vitrine  de  uma  guerra  que  começa  e  não  tem  fim
E  deixa  ao  controle  da  loucura  uma  sensualidade  desinibida,
Chovem  torturas  e  anseios  sobre  a  maquete  de  uma  alma  espavorida
Que  enferma  pela  indiferença  de  uma  sensibilidade  que  não é  mais  afim...

Pelos  vales  enlameados  de  sangue  a  morte  faz  morada
E  os  vermes  se  nutrem  de  uma  carne  amorfa  e  sem  cor,
Roem  até  a  última  centelha  o  corpo  que  desconheceu  o  amor
E  o  vento  que  sopra  traz  a  areia  que  cobre  os  restos  da  ossada.

Os  fios  de  cabelos  sobrevivem  às  intempéries  da  natureza
E  os  ideais  são  levados  sem  destino  pelo  desvario  da  correnteza!
                                                                                                                                                  

Sonho: Essência da Vida



O  sonho  não  se  destrói,  apenas  adormece...

A  inconsciência  mantém-se  acesa  durante  o  repouso
E  em  seu  ilimitado  arquivo  sonhos  são  armazenados.

Durante  a  vigília  vem  à  tona  o  que  precisa  ser  lembrado
Numa  faina  relevante  em  que  sob  auspícios  da  memória
Despertam-se  conteúdos    catalogados  e  não  esquecidos...

Trata-se  de  um  engenho  que  contém  mecanismo  perfeito
Muito  distante  ainda  do  empirismo  e  da  ciência  do  homem,
Tudo  o  que  é  desconhecido  são  enigmas  que  se  consomem,
Mistérios  atributos  da  ignorância  que  não  traduzem  tais  efeitos...

Não    desperdício  diante  do  que  a  natureza  veicula,
Em  sua  rotação  que  transforma  também    o  que  se  guarda
E  não  mais  que  no  momento  exato  surge  uma  fartura
De  conhecimentos  e  desejos  que  molduram  o  pensamento
E  comprovam  ser  a  vida  essência  de  eterno  deslumbramento!