domingo, 9 de dezembro de 2012

Sem limites...



Sou  confecção  dos  teus  retalhos,
Tecido  mediante  tua  tessitura,
Irmanado  contigo  num  mar  de  aventuras
E  dissecado  pelo  carinho  dos  teus  braços.

Sou  sobejo  do  teu  intenso  paladar,
Sugado  por  tua  língua  afoita,
Levado  ao  êxtase,  arranhado  pelas  moitas
Dos  teus  pelos  que  me  seduzem  a  navegar.

Sou  sobras  no  eclodir  de  tua  emoção,
Deglutido  pelo  fogo  farto  de  tua  paixão
E  reduzido  a  um  sêmen  que  tenta  fertilizar...

Sou  cardápio  em  tua  fome  sem  limites,
Delicioso  açúcar  de  um  suco  que  jamais  viste
Que  sacia  uma  sede  em  teu  desejo  insano  de  amar!

Derradeiro Aceno



Aprecio  a  tempestade  que  acaricia  a  natureza...
Nos  ventos  que  balouçam  as  árvores  despidas
Percebo  o  desespero  que  causa  a  avalanche  homicida
E  a  poeira  que  se  espalha  no  espaço  desbravando  incertezas.

No  brilho  da  luz  que  se  apaga  vejo  o  tempo  cinzento
E  nos  jardins  as flores  se  despetalam  com  a  brisa,
No  ar  pássaros  em  revoadas  buscam  abrigo  ou  despedida
Diante  da  morte  que  se  instala  ocasionando  dor  e  sofrimento.

Nuvens  em  estado  de  choque  choram  compadecidas
Perante  multidões  que  fogem  atônitas  e  espavoridas
Debaixo  dos  tornados  que  sorriem  com  as  mazelas...

Um  vácuo  hediondo  e  frio  é  o  produto  das  catástrofes,
Gritos  lancinantes  cruzam  as  encruzilhadas  com  apóstrofes
Num  último  aceno  de  esperança  no  combate  às  tragédias!

Valeu a pena ?



De  repente  olho  para  trás,  no  tempo  e
Meus  cabelos  se  esvoaçam  no  vento
  grisalhos  e  maduros  de  vida...
Será  que  valeu  a  pena  chegar  até  aqui?
Nada  edifiquei  para  mim,  senão  sabedoria
Que  busquei  incessantemente  nos  livros
E  na  oralidade  que  viaja  de  boca  em  boca...

Viver  é  pelejar  em  prol  de  um  destino
Que  nem  sempre  é  aquele  traçado  em  metas,
Mas  o  que  é  imposto  por  circunstâncias  que  afetam
O  livre  desenvolver  de  uma  existência  feliz...
O  progresso  nocauteia  determinadas  aspirações
E  a  sensibilidade  dorme  no  seio  das  ambições
Transformando  fraternidade  em  plataforma  de  egoísmo
Em  que  realmente  vence  quem  for  mais  forte...

O  amor  virou  moeda  de  uma  corrente  sensualidade
E  a  cada  dia  que  passa  mais  se  torna  prosperidade
Em  um  universo  onde  a  moral  abandonada,  caducou...
O  espaço  travestiu-se  em  medida  de  honra  e  disputa,
Cada  centímetro  é  batalhado  como  se  fosse  único
Perante  olhares  que  somente  presenciam  as  contendas...
A  verdade  foi  caracterizada  como  fraude
E  a  mentira  graceja  diante  dos  infortúnios  do  povo...

Por  isso  mais  uma  vez  me  indago:
Será  que  valeu  a  pena  chegar  até  aqui
E  assistir  aos  deslumbramentos  da  hipocrisia?
Diante  da  fome  que  mata,  da  sede  que  maltrata,
Das  doenças  que  imperam  e  se multiplicam,
Da  ausência  da  digna  moradia,  das  drogas  que  campeiam...
  não  sei!
Da  própria  esperança  minha  esperança  pereceu
E  meu  pudor  ainda  não  me  desconheceu
Porque  sobrevivo  na  solidão  e  na  saudade!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Frutos da Inspiração



Masturbei  minha  mente  na  coqueluche  da  fantasia
E  naveguei  pelas  águas  revoltas  do  rio  imaginário,
Meu  barco  balouçava  entre  as  plantas  do  estuário
Dando  real  impressão  que  aquilo  deveras  acontecia.

Fui  adentrando  curioso  numa  região  ainda  silvestre
Em  que  um  sol  tímido  bronzeava  minha  pele  macia,
Pássaros  canoros  sibilavam  uma  canção  de  bom  dia
E  os  ventos  que  sopravam  tocavam  em  mim,  leve...

Natureza  que  fez  a  inspiração  romper  todo  o  espaço
E  trazer  das  nuvens  o  calor  que  exige  intenso  abraço
Numa  atmosfera  virgem  que  encanta  mágica  paisagem...

De  repente  caiu  uma  chuva  deixando  o  solo  mais  fértil
E  a  imaginação  que  mergulhou  num  torvelinho  estéril
Provocou  a  enxurrada  que  dizimou  a  onírica  estiagem...