domingo, 9 de abril de 2017

TRILHOS DO TEMPO

Navego sobre trilhos enferrujados pelo tempo…

Diante das águas salobras da vida eu me afogo
Através do mergulho acrobático sobre as horas

Que, passo a passo, dinamitam do passado estéril
As oligarquias sentimentais evoladas nas cobiças
Que fremem as ambições tresloucadas do mundo…

Nos grãos dos segundos, os minutos destilam ópio
Que os corpos fumegantes consomem em carnaval
Frenético que o presente enviará a um futuro obeso,
Totalmente desenhado por um destino cruel e ignóbil.

Na atmosfera densa, as células se contaminam a sós
E as primogênitas ideias do orbe salutar… só sonhos!
As nuvens cíclicas derramam o ácido da química letal
Sobre os inconsequentes tapetes humanos homicidas…
Então navego sobre trilhos enferrujados pelo tempo!


DE Ivan de Oliveira Melo



sábado, 8 de abril de 2017

ANTAGONISMOS

Às vezes fico a refletir sobre dois parâmetros:
O que é mais salutar: o bom gosto ou o bom senso?
Percebo-me numa terrível encruzilhada, fico tenso,
Pois não é tão fácil escolher um desses dois diâmetros...

Nem sempre o que se considera melhor é o recomendável,
Sem dúvidas por aí perambulam alfinetes que ferem
E as dúvidas pairam sem cerimônias e, sim, interferem
Diante das situações em que uma atitude é insustentável…

Igualmente há miasmas no que se interpreta bom senso,
Porque há muito se comenta: cada cabeça é um mundo…
O que para um é bom gosto, para outro é de teor imundo
E, assim, opta-se por um valor em que nada é intenso.

Bom gosto e bom senso não se coadunam em pilares,
Contudo são primos entre si, mas não parlamentares!


DE Ivan de Oliveira Melo




sexta-feira, 7 de abril de 2017

CONFUSIÓN

Hoy mi juicio es de ayer,
Mi presente no tiene futuro...
Vivir las horas sin rumbo
Es poner la vida en lo atelier.

Pensamientos navegan sucios
Sobre minutos aún solteros,
No hay últimos ni primeros,
Solamente segundos inmundos.

El tiempo no habla ni llora,
Por eso se debe vivir el ahora
Y esperar la lluvia que cambia…

Hoy fue ayer, mañana es hoy,
Por eso no me quedo, me voy
A dormir delante de mi ventana!


DE Ivan de Oliveira Melo



quinta-feira, 6 de abril de 2017

CICLO ECOLÓGICO

Silvestre natureza, paisagens deleitosas
Dos verdes ramos que alcatifam os ares
Traçando nos céus as brisas nucleares
Que acariciam campinas, matas dengosas…

Ásperas rochas que contornam matagais,
Concertos híbridos nos hinos dos pássaros
Que, em revoadas, se atrelam em abraços
E se multiplicam na alegria dos ancestrais.

Fontes semeiam vida inundando terra roxa,
Desenhando sobre o solo atômicas colchas
Onde descansa o dia e dorme a madrugada…

Semeia-se o tempo diante da saudade fria...
Solidão nada mais é que incógnita e alegoria
Perante o verde que reina sobre enseadas!


DE Ivan de Oliveira Melo



quarta-feira, 5 de abril de 2017

MORTO-VIVO

Há momentos em que me constranjo,
Não me reconheço, não sei quem sou…
Há instantes em que me estranho,
De estar em mim… Sou-me desconhecido!

Há horas em que me enclausuro
Para não me enxergar… Esquisitice!
Como devo proceder, então?
Não me identifico em meu retrato!

Há minutos em que busco uma fuga,
Talvez nas estâncias metafísicas de mim,
Ou simplesmente assassino meu sonho,
Pois não me vejo, não me fito… Estou cego!

Há ocasiões em que me perco no íntimo,
Meu idioma não me compreende… Hieróglifos?
Não sei… Apenas já não durmo madrugadas,
Nem sei a cor da luz do dia… Serei sombra?

Não! Sou vulto de uma inconsciência acéfala
E meus miolos são átomos de engrenagem nula!
Portanto, sinto e não sinto, vivo e não vivo…
Tão somente sobrevive em mim um morto-vivo!


DE Ivan de Oliveira Melo




RECIPROCIDADE

RECIPROCIDADE


A mim, tu me deste caixão e vela preta…
A ti, eu te fiz apenas carinhosa careta
E naufragamos juntos no veleiro solidão
Afogando a nostalgia na estepe do coração.

A mim, tu me fizeste das labaredas, cinzas…
A ti, eu te embriaguei do amor dum ranzinza
Que idolatra, na ventura do amar, teu painel
E se machuca em tua caricatura com o cinzel.

A mim, tu me sonegaste teu beijo precioso…
A ti, eu te esculpi na tela do artista talentoso
Que esmera, aqui e acolá, um faustoso retrato
Com incenso e mirra… Ah! Como és ingrato!

A mim e a ti somos somente dois escaravelhos
Perdidos entre rosas murchas e cravos velhos!






terça-feira, 4 de abril de 2017

WITHOUT...

You lost me without space...
When I looked at my face,
I heard a great noise:
In the mirror I hadn’t choice
Then my body was in the floor.

You lost me without love…
When I looked for the cove,
I saw a dirty water on my feet
Then the sugar wasn’t sweet
And in my life closed the door.

You lost me without smile…
When I discovered the time,
A tear dropped down alone
And the death was a clone!


By Ivan de Oliveira Melo