domingo, 8 de setembro de 2013

Sedentarismo


Operando  meu  computador,  faço  higiene  mental...

Minha  vida  é  um  celeiro  de  delícias  e  estresses,
Mergulho  nas  horas  irregulares  duma  existência  frugal

E  diariamente  consumo  do  cotidiano  doces  e  quermesses
Adicionadas  a  uma  rotina  companheira  do  ataúde,
Pois,  nas  frituras  e  no  sal  controlo  minha  saúde...

Os  dias  são  máquinas  que  me  condicionam  aos  cursos
E  em  meu  corpo  redondo  armazeno  gama  de  conhecimentos,
No  tempo  desvendo  o  inimigo  que  me  corrói  os  sentimentos
E  diante  da  Tv  entrego  às  pipocas  e  refrigerantes  meus  impulsos...

Esqueço-me  de  que  existem  natureza  e  brincadeiras  de  garotos...
Minha  tensão  ganha  números  e  me  deixa  mais  rico
Num  sedentarismo  que  dissipa  minhas  energias  e  me  põe  em  risco...
Sobrevivência  salutar  requer  conforto  e  alimentação  adequada,
Propósitos  adversativos  do  viver  virtual  desta  vida  destrambelhada!


Atalho


De  mim,  sou  atento  retratista...
Do  universo,  ressabiado  observador,
Nauta  que  busca  desvendar  o  amor
Dentre   caipiras  duma  existência  niilista.

Dos  olhos  humanos,  sou  devorador  de  sonhos...
Estadista  de  uma  política  sentimental
Que  vive  em  corda  bamba,  entre  o  bem  e  o  mal,
Sobraçando  as  noites  dum  mundo  menos  enfadonho.

Da  vida,  sou  um  docente  que  leciona  esperanças
Mesmo  com  os  pés  mutilados  por  desvairadas  andanças
E  as  mãos  calejadas  pela  fadiga  do  trabalho...

Da  alma,  coleciono  carícias  para  sobreviver
Recheadas   por  temperos  de  ternura  que  são  o  dossiê
Onde  assento  retas  e  curvas  em  busca  dum  atalho!



sábado, 7 de setembro de 2013

Tertúlia Campestre


O  vento  bate,
Árvores  se  alvoroçam,
Pássaros  sofrem   enfarte
E  tombam  sem  vida  na  roça.

Solo  úmido...  minhocas  à  beça
Passeiam  desgovernadas  sobre  a  lama
Dando  trotes  nos  predadores  e  se  dispersam
Dentre  os  cascalhos  da  areia  plana.

Chega  o  frio...  a  noite  se  instala
E  a  chuva  com  gotas  de  opala
Inunda  os  campos  semeando  enxurradas...

Sapos  e  grilos  cantam  temas  desafinados,
Rãs  e  cigarras  respondem  em  tons  apaixonados

Enquanto  pirilampos  iluminam  arestas  da  madrugada!  

Bocas Desmedidas


Dizem  tantas  coisas  por  aí...
Inventam  que  a  vida  navega  em  destruição,
Imaginam  que  o  mar  vira  sertão
E  que  os  lábios  já  não  sabem  sorrir...

Bocas  afirmam  que  o  mundo  vai  acabar,
Que  as  catástrofes  soam  como  avisos,
Que  debaixo  do  sol  há  vultos  inimigos
E  que  os  corações  não  conseguem  amar.

Sim,  é  verdade... Pessoas  falam  às  avessas
De  sonhos  torturados  nas  próprias  cabeças
Por  tragédias  íntimas  que  desovam  melancolias...

Mundo  nunca  acaba... Gentes  que  passamos
Sequestrados  por  hediondos  vírus  e  desenganos

Que  não  sabemos  sonhar  nem  saciar  fantasias!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Erotismo Poético


Rastreio  com  o  olhar  minhas  conquistas
E  minha  boca  varonil  declama
Poemas  eróticos  que  destinam  à  cama
Donzelas  que  são  vedetes  em  capas  de  revista.

Meus  versos  encantam  com  voluptuoso  sabor
A  essência  íntima  da  maquete  feminina,
Nos  torneios  e  jogos  de  palavras  emprego  rimas
Que  provocam  cio  e  vontade   de  conhecer  o  amor.

Nas  beldades  desvendo  botijas  de  prazer
E  tesouros  inconfessáveis  que  as  fazem  conceber
Através  da  linguagem  a  magia  da  sofreguidão...

Na  escrita  há  mananciais  de  ardor  e  fantasia
Do  lirismo  eloquente  que  sensualiza  a  antologia
Trazendo  à  imaginação  o  gozo  que  enfeitiça  o  coração!


domingo, 1 de setembro de 2013

Não vale quanto pesa...


Ter  conhecimento  apenas  é  obscuro,
A  boa  índole  é  complemento  da  sapiência,
Junta-se  o  útil  ao  agradável  com  eficiência,
Então  o  mundo  torna-se  justo  e  puro.

Não  é  meritório  possuir  a  vida  na  palma  da  mão
Se  depravação  e  maldade  modelam  o  caráter,
No  tabuleiro  da  existência  bem  é  cheque-mate
Para  que  a  felicidade  seja  o  espelho  do  coração.

O  indivíduo  pode  até  destacar-se  pelo  que  sabe,
Mas  é  na  prática  que  mostra  o  quanto  vale
Perante  assembleias  de  semelhantes  do  cotidiano...

O  conhecer  exige  que  se  ande  em  linha  reta,
Que  se  retirem  das  estradas  placas  e  setas

A  fim  de  que  nas  curvas  não  haja  desenganos!

Grito de Chuva


O  campo  está  seco,
A  terra  rachada,
Minha  face  é  a  estrada
Por  onde  me  perco.

Árvores  desfolhadas,
Em  meu  íntimo  é  sertão...
Restos  de  vida  no  chão
Entristecendo  as  madrugadas.

Oásis  são  lágrimas  ao  relento,
Sol  a  pino  é  pico  de  chaminés
Que  tostam  as  envergaduras  dos  pés
Rolando  a  esmo  em  meu  sentimento.

Seios  róseos  alimentam  a  nostalgia
Que  a  esperança  nutre  do  novo  arrebol,
O  vento  tudo  sopra  em  caracol
Levando  consigo  a  fotossíntese  da  covardia.

Sol  e  calor...  Solidão  se  agita  e...

Com  o  grito  do  trem,  a  chuva  se  precipita!