sábado, 7 de janeiro de 2017

INFECÇÕES

Insensato como o lume do vaga-lume
Sobe as nuvens do inverno meio tenso,
Porque é longa a estrada, frio é intenso
E as pernas bambas não ficam impunes.

Destemido e sério segue rumo ao acesso
Que escorregadio impõe muitos cuidados,
Pois está só, ébrio… Olha para os lados,
Cambaleia dentre pedras que são abcessos.

Hum! Tantos obstáculos não são do acaso,
Na verdade varou a fumaça, hora do ocaso,
Desmantelou os ossos na queda imprevista!

Nas lavouras mórbidas chamadas de destino
Deixa vir à tona ecos do silencioso intestino…
Não vingou a jornada vermelha, comunista!


DE Ivan de Oliveira Melo




sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

ALQUIMIAS

Percebo minhas mãos trêmulas em melancolia.
Meus pés se arrastam pelo soalho meio velho
E meu corpo alquebrado se veste de amarelo,
Na verdade é palidez devido minha vida vazia.

Noto meus olhos cansados, um tanto sem órbitas
A girarem em direções contínuas em busca de algo,
Todavia tudo está longe, fora de alcance e naufrago
A cambalear sem trote em noites tristes e exóticas.

Observo-me além dos meus limites. É idade anciã
Que traumatiza meus gestos e me faz sentir-me pó
Diante do que me rodeia, por isso estou tenso e só
Em busca da centelha que me alumia, que é guardiã.

Desvendo-me ainda lúcido, meu intelecto é jovem…
Isso que importa perante as alquimias que me movem!


DE Ivan de Oliveira Melo



quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PREMONIÇÃO

Talvez amanhã tu já não mais existas
E eu de repente sinta frio, tirite, fique a sós…
Não poderei contrariar minha verve intimista,
Pois não terei mais o amor debaixo dos lençóis.

A cama para mim haverá de ser martírio,
Tua ausência não será sonho, será loucura,
Pesadelo que me fará confessar em delírio
Que te amei virgem e mulher, amanhã partitura.

Navegarei em valsa pelos devaneios das lembranças…
Se a morte for passagem, terei deveras esperanças
De contrair nas nuvens um novo matrimônio…

Mas… se o sopro da vida a ti pôr um fim,
Então mentecapto estarei… Ah! Pobre de mim!
Afogar-me-ei suicida na camada de ozônio!


DE Ivan de Oliveira Melo




quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

REFIL

Solto as madrepérolas que cobiçam corações ladrilhados…

Enxugo as faces de seda que desenham as linhas dum rosto
Que chora as alegrias altercadas pelas alegorias do mundo.

Amparo o peito febril que bate e rebate as insônias da noite
Sem o luzeiro que alumia as pardacentas vertigens das ondas
Térmicas de um mar em que seus dons ressoam nas nuvens

O marulho dos torvelinhos que assanham o tom das procelas.
Acaricio as mãos que tremem sob o orvalhar da chuva morna
Que cai sobre o solo úmido das cascatas frias das madrugadas
Ainda dementes e solitárias perante o sacolejo das horas tontas.

Apiado-me dos sertões áridos vítimas da covardia do sol único
Que trancafia sua luz e deixa nos raios apenas o verme tóxico
Que queima o verde das planícies azedas pela fome pungente
Da areia seca e sem o perfume que alimenta as bocas desertas.
Acosso da esperança a saudade que respira dentro da solidão!


DE Ivan de Oliveira Melo





terça-feira, 3 de janeiro de 2017

SUBORDINATIVOS

É importante construir-se um novo mundo
Para que a vida deveras seja uma bela oração!
Desde que se tenha o plasma dentro do coração,
O homem edifica o sumo do que é real, profundo.

O tempo mostra que há bastantes raízes nas horas
Embora haja o intercâmbio da louca atmosfera…
No espaço em que se vive há retas, também crateras,
Tem-se a impressão de que a existência é inglória!

O fato é que tudo depende somente de um olhar
Onde se ponha o bem no ápice do mais belo altar,
Quanto mais doação, mais se expõem as verdades…

Oferte-se apenas isto: que a sabedoria seja ímpar
Conforme as regras do inesquecível, suntuoso patamar
Que a índole humana traça no perfil das sinceridades!


DE Ivan de Oliveira Melo

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O poema acima tem o título de SUBORDINATIVOS, porque cada verso é uma
oração subordinada ( ora substantiva, ora adjetiva, ora adverbial ).

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

FANALES

La ceguera no está en los ojos. Está en el alma.
Para divisar bien es necesario conocer el íntimo,

Saber los retos y curvas del pensamiento intrínseco
Y caminar sobre los codónes que manipulan la mente,
Para que no haya extravios en lo ambiente de la conciencia.

El raciocinio trabaja día y noche sin parar, es una máquina
Que tiene en su comando la antojo que es independiente.
Ver la oscuridad del meollo no es fácil… Equilíbrio y aguante
Son las llaves que llevan el indivíduo a tal efecto sin secretos…

No obstante cuándo la emoción es casquivana, todo es cloaca,
Pues no existe identificación en los datos y la idea muere acéfalo.

No existe ceguera en los ojos… Existen sensaciónes febris
Que ocluen de los sentimientos la razón y todo parece autónomo.

La ceguera es una desviación de la inteligencia que es pobre.
Los ojos son tan solamente los fanales que guían el vehiculo humano.



DE Ivan de Oliveira Melo




domingo, 1 de janeiro de 2017

ETNIA

Minha pele é branca; a alma, negra.
Esta alma minha não chora, nem ri…
Sisuda, talvez seja parenta de Zumbi
E ainda vê mundo afora muita retreta.

Meu irmão: pele negra, alma branca,
Personalidade de rei, líder, não escravo,
Labuta no ringue social como visionário
E se vê pilhéria do racismo e se manca.

Há homens brancos, pretos de coração,
Fazem do preconceito uma vida de ilusão,
Não se enxergam pessoas, são caricaturas…

Há homens negros, branco é o seu caráter.
Na verdade são ícones e de célula “mater”,
Veem em todos irmãos e santas criaturas!


DE Ivan de Oliveira Melo