segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Redenção
Viajo com os
olhos ao redor
do mundo
E tento entender
as mazelas do
orbe,
São muitos os
miasmas de tom
esnobe
Que flagelam a
humanidade a cada
segundo.
Em sinagogas, mesquitas, e
templos o homem ora
Na esperança de
um redentor sinal
de salvação,
Uma avalanche de
dores corrói seu
coração
E um esmiuçado
pranto lentamente o
devora.
Basta um olhar
atento às intempéries
da vida
E aplicar o
dízimo às situações
precárias
Onde muitas vezes
as palavras não
são necessárias...
Na seara da
virtude singela e
bendita
Navega o sangue
da esperança de que se
espera tanto,
Que o lenço
da paz e
da concórdia enxugue
sentido pranto!
Poema de Ivan
Melo e Lucas
Alves
domingo, 17 de novembro de 2013
Tudo o que me cabe...
Relâmpagos e trovões
maltratam a noite
E me trazem
na tempestade vendavais
e açoites
Que solapam em
mim ingredientes de
amargura...
Um tenaz frio
vagueia tonto e
satisfeito
Causando-me
calafrios, congelando-me o
peito,
Deixando-me a mercê
em um tronco
de ditadura...
Atrofiada
liberdade reina durante
o dia
E na madrugada
faz conluio com
o tempo,
Nos ciclones que
temperam meu temperamento
Tento
embrenhar-me e escapar
na brisa da
alforria...
Na lama que
encobre solstícios de
prazer
Há um vácuo
empedernido em linha
de confronto,
Se na vida
há bons e
maus mundos em
cada ponto,
Hoje, ser feliz,
é tudo o
que me cabe
ser!
Poema de Ivan
Melo e Lucas
Alves
Desperta, coração!
Desperta, coração!
Tuas portas estão
cerradas,
Tuas janelas trancafiadas
E o amor
flutua sem abrigo!
Desperta, coração!
Tu dormes demasiado,
Teu sono é
agitado,
Não fazes isso
comigo!
Desperta, coração!
Teu sonho é
incolor,
Teu nome não
é dor,
Quero navegar em
ti e não
consigo!
Desperta, coração!
Tu não estás
sozinho,
Tu precisas de
carinho,
Quero
despertar contigo!
Desperta, coração!
Teu bater é
minha alegria,
Tu não vives
na utopia,
Quero dar-te o
Paraíso!
Desperta, coração!
Teu
sentimento é profundo,
Tua face é
a cara do mundo,
É que a
vida precisa muito
te encontrar!
Poema de Ivan
Melo e Lucas
Alves.
O JURAMENTO - CAP. II
O JURAMENTO
CAPÍTULO II
II
Os anos se passaram. Eduardo e Alice estavam a
completar 15 anos. Suas famílias se reuniram e fizeram uma só
festa. Foi uma noite inesquecível para os dois jovens. As
comemorações tiveram lugar na casa de Alice, que era enorme.
Após a valsa, Eduardo e Alice resolveram dar um passeio pelos
jardins. A noite estava clara, as estrelas cintilavam alegres
nos céus.
- Sabe, Dudu, faz cinco minutos e me lembrei de
um certo juramento que fizemos quando tínhamos 7 anos. Você
se lembra do juramento?
- Sim, Alice, eu me lembro. E você
está disposta a cumprir o que naquela oportunidade duas
crianças prometeram?
- Estou. Desde aquele dia não penso em outra coisa. Serei freira e, você, padre. Não está disposto a cumpri-lo?
Eduardo olhou para o chão. Desde um certo dia,
quando tinha 12 anos, descobrira seus sentimentos em relação à
Alice. Seu coração estava em disparada, desejava ardentemente
confessar ali o que ocorria em seu íntimo, contudo o olhar
inquisitório de Alice o fazia recuar.
- E então, Dudu, vai fraquejar agora?
- Não, Alice, o prometido será cumprido...
Eles estudavam na mesma escola e na mesma classe.
Estavam sempre juntos, eram amigos de verdade. Mas, o que se
passava no coração de Alice?
Alguns dias após a grande festa,
Alice estava muito pensativa. Era uma noite de sexta-feira,
ela havia terminado de banhar-se para dormir. Estava em frente
ao espelho a pentear seus longos cabelos loiros, cacheados. Seus
olhos azuis brilhavam. “Eu não posso fraquejar agora...Eduardo
me ama, vejo isso nos olhos dele. O pior é que também o amo...
no entanto, temos um juramento que é um compromisso sério, e
haveremos de cumpri-lo. Deus, dai-me forças para não sucumbir,
Dudu não pode nem sonhar o que há em meu coração...ajude-me,
Senhor!”
Dois anos mais tarde concluíram os estudos
secundários. Foi um verdadeiro rebuliço na casa de ambos os
jovens quando eles relataram para os pais a decisão. A notícia
teve mais repercussão na casa de Eduardo, os pais não
aceitavam a novidade, até o levaram a fazer terapia com um
psicólogo, de nada adiantou. Em casa de Alice, os pais estranharam,
entretanto, como perceberam que nada podiam fazer, entregaram
os “pontos” e deixaram a filha seguir livremente o destino que
escolhera. Tudo estava consumado...
FIM DO CAPÍTULO II
Abstração de Sentimentos
Certa vez um
aluno me perguntou:
“Professor, é possível
esculpir abstratos?
Sei que sentimentos
não possuem retratos...
Bem
interessante seria uma
escultura do amor.”
“Abstratos
não têm formas,
respondi, meio atônito,
Sua
criatividade pode dar
o desenho que
quiser,
É de inimaginável
estrutura, é o
mesmo que a fé,
Sabedoria que arrola
verdades do mundo
diacrônico.
E o diálogo
adentrou no vasto
campo da Filosofia
Em que o abstrato
se opera na
consciência das alegorias
E faz do
conhecimento empírico possíveis
veracidades...
É o pensar
filosófico que monta
uma cultura,
Cabe ao pensamento
humano decodificar cada
estrutura
E esculpir na
matéria a inspiração
das realidades!
Envelheci...
Permito-me dizer que
envelheci...
Fui uma incógnita ao
longo dos anos
E ainda sou raiz
infinitesimal dos meus desenganos...
Olho-me diante do
espelho da vida
E no grisalho
reluzente dos meus pelos
A convicção de uma
experiência tenazmente perseguida.
Permito-me dizer que
envelheci
Na labuta de um ideal
multicor
Em que o ingrediente
primordial, o amor,
É o produto final do
tudo que consegui...
Permito-me dizer que
envelheci
E me vejo retrato no
sorriso de uma criança,
Em meu foro íntimo há
boas e más lembranças
Que esculpem meu
intelecto de sabedoria
E fazem de minha
maturidade a essência de minha fotografia!
Assinar:
Postagens (Atom)